Adeus ao estepe? Pneu que não fura e nem precisa ser calibrado começa a rodar nas ruas

Tecnologia da Bridgestone troca a pressão interna por uma estrutura de resina reciclável e já está em circulação

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Pneu da Bridgestone dispensa calibragem e elimina o risco de furos tradicionais (Imagem gerada por IA a partir de foto da Bridgestone)

Parar o carro no acostamento por causa de um pneu furado pode virar uma lembrança do passado. A Bridgestone começou a utilizar em um serviço regular de transporte seu novo pneu AirFree, que roda sem ar, não precisa ser calibrado e não sofre os tradicionais furos provocados por pregos ou outros objetos na pista.

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A estreia ocorreu em Higashiomi, cidade da província de Shiga, no Japão. Desde 8 de julho, os pneus equipam o “Keiryu Car”, pequeno veículo elétrico e autônomo que transporta moradores por uma região montanhosa. Segundo a fabricante, é a primeira aplicação contínua da tecnologia em um serviço de mobilidade no país, depois de diferentes testes temporários realizados em vias públicas.

O veículo lembra um carrinho de golfe e circula por trajetos previamente definidos, com velocidade inferior a 20 km/h. Apesar de parecer uma aplicação modesta, o projeto representa uma etapa importante para um pneu que começou a ser desenvolvido em 2008.

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Como funciona o pneu que não usa ar

Nos pneus convencionais, é o ar comprimido que ajuda a sustentar o peso do automóvel e a absorver as irregularidades do asfalto. Quando ocorre uma perfuração ou a pressão cai demais, o pneu perde parte dessa capacidade e pode deixar o veículo sem condições de continuar rodando.

O AirFree elimina essa câmara pressurizada. No lugar do ar, uma série de raios flexíveis feitos de resina termoplástica sustenta o peso do veículo. A estrutura se deforma durante o movimento, absorvendo os impactos recebidos pela roda e retornando depois ao seu formato original.

Os raios são visíveis nas laterais e receberam uma tonalidade azul. De acordo com a Bridgestone, a escolha ajuda a tornar as rodas mais fáceis de serem vistas durante o entardecer, período no qual a iluminação começa a diminuir.

Como não existe pressão interna, um prego pode até atingir a borracha externa, mas não provoca a perda de ar que deixaria um pneu comum murcho. Isso também elimina a necessidade de verificar constantemente a calibragem.

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O pneu, entretanto, não é indestrutível. A banda de rodagem continua em contato direto com o solo e sofre desgaste com o uso. A proposta da fabricante é permitir que essa camada de borracha seja reformada, enquanto os raios de resina podem ser triturados, derretidos e reutilizados na produção de novas peças.

Por que ele começou por um carro tão lento?

A escolha de um veículo pequeno e limitado a 20 km/h reduz alguns dos maiores desafios enfrentados pelos pneus sem ar. Quanto maior a velocidade e o peso do automóvel, mais difícil é controlar fatores como conforto, ruído, aquecimento, estabilidade e durabilidade da estrutura.

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Além disso, a produção ainda custa mais do que a de um pneu convencional. O setor também precisa evitar que pedras e outros objetos fiquem presos ou sejam lançados pelos espaços existentes entre os raios.

Por isso, os primeiros usos comerciais tendem a acontecer em veículos que circulam lentamente e seguem trajetos controlados, como transportes autônomos, carrinhos de aeroportos, serviços em condomínios, fábricas e centros logísticos. Nessas aplicações, não precisar interromper a viagem para trocar ou calibrar pneus pode representar uma vantagem maior do que em um automóvel conduzido por uma pessoa.

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Em Higashiomi, essa confiabilidade tem uma função especialmente relevante. Mais de 60% dos moradores da região atendida são idosos, enquanto a falta de motoristas e profissionais para manter o transporte local se tornou um problema. Um veículo autônomo parado em uma área montanhosa por causa de um pneu furado poderia comprometer todo o serviço.

Quando o pneu sem ar chegará aos carros comuns?

A Bridgestone ainda não anunciou uma data para vender o AirFree a proprietários de carros de passeio. A tecnologia entrou em sua terceira geração em 2023 e começou a ser testada em vias públicas de Tóquio no ano seguinte. A operação iniciada agora no Japão servirá para avaliar o comportamento dos pneus durante um uso contínuo e cotidiano.

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Também não há previsão de lançamento no Brasil. Uma eventual chegada dependerá da evolução do projeto para velocidades maiores, da capacidade de produção e dos custos envolvidos.

A fabricante japonesa não está sozinha nessa corrida. A Michelin desenvolve o Uptis, conjunto de roda e pneu sem ar criado em parceria com a General Motors. O protótipo também utiliza uma estrutura flexível para sustentar o carro e evitar panes causadas por perda de pressão, mas ainda não chegou ao mercado de automóveis de passeio.