O Chevrolet Captiva está de volta ao Brasil quase uma década depois de sair de cena. Mas a comparação com o antigo SUV termina no nome estampado na tampa traseira. O modelo que antes ficou conhecido pelos motores grandes e pelo consumo elevado reaparece elétrico, mais espaçoso e com preço surpreendentemente inferior ao do Equinox, justamente o carro que ocupou seu lugar nas concessionárias.
A nova Captiva EV mede 4,74 metros de comprimento, cerca de 9 centímetros a mais que o Equinox vendido atualmente no Brasil. O entre-eixos de 2,80 metros também supera o do irmão a combustão e ajuda a explicar o espaço generoso para os passageiros do banco traseiro.
A diferença mais curiosa, no entanto, aparece na tabela. A Captiva EV parte de R$ 199.990 no preço especial de lançamento, enquanto o Equinox custa a partir de R$ 291.190. São R$ 91.200 de distância entre os dois SUVs, conforme os valores divulgados pela Chevrolet.
O Equinox mantém uma proposta mais sofisticada, motor turbo, tração integral e versões RS e Activ. A Captiva foi posicionada para disputar compradores de SUVs compactos completos e modelos elétricos de marcas que avançaram rapidamente no mercado brasileiro.
Da gasolina ao carregador
A primeira Captiva chegou ao Brasil em 2008, importada do México. A versão mais lembrada usava motor 3.6 V6 de 261 cv, câmbio automático e podia ter tração integral. Depois vieram o V6 3.0 de 268 cv e uma opção 2.4 de quatro cilindros.
Desempenho, conforto e acabamento ajudaram a construir a imagem do SUV, mas o consumo elevado também marcou sua trajetória. As vendas perderam força e a importação terminou em 2017, quando o Equinox passou a ocupar seu espaço no catálogo da Chevrolet.
A Captiva que retorna não possui ligação mecânica com aquela geração. O novo modelo utiliza um motor elétrico dianteiro de 204 cv e 31,6 kgfm de torque. A aceleração de zero a 100 km/h leva 9,9 segundos, desempenho mais voltado ao conforto do que à esportividade.
A bateria de 60 kWh oferece autonomia de 304 quilômetros pelo padrão do Inmetro. Em carregadores rápidos de corrente contínua, o SUV aceita até 120 kW e pode recuperar de 30% a 80% da carga em aproximadamente 30 minutos.
Projeto ganhou identidade Chevrolet
Apesar da marca americana, a nova Captiva foi desenvolvida a partir do Wuling Starlight S, produzido pela SAIC-GM-Wuling, parceria mantida pela General Motors no mercado chinês. Para se transformar em Chevrolet, o SUV recebeu alterações visuais, nova dianteira, emblemas próprios e calibrações destinadas ao mercado brasileiro.
O modelo chegou inicialmente importado, mas passou a ser montado em Horizonte, no Ceará, ao lado do Spark EUV. O processo é realizado no sistema SKD, com kits de peças parcialmente montados enviados ao país para a finalização na fábrica da PACE, operada pela Comexport.
O Brasil tornou-se o primeiro país fora da China a montar os dois elétricos. Segundo a General Motors, a chegada da Captiva deve ampliar em aproximadamente 50% o quadro de funcionários da unidade. A planta ainda receberá uma terceira linha até o fim de 2026 para fabricar outro veículo eletrificado, ainda não revelado.
O que a nova Captiva oferece
Vendida em versão única, a Captiva EV traz central multimídia de 15,6 polegadas, painel digital de 8,8 polegadas, Apple CarPlay, Android Auto, câmera com visão de 360 graus, teto solar panorâmico, banco do motorista com ajuste elétrico e abertura elétrica do porta-malas.
O pacote de segurança inclui seis airbags, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa e faróis adaptativos. O porta-malas comporta 403 litros e os bancos traseiros podem ter a inclinação ajustada.
A garantia do carro é de três anos ou 100 mil quilômetros. Para a bateria, a cobertura sobe para oito anos ou 160 mil quilômetros.
A antiga Captiva tentava conquistar o comprador com um V6 sob o capô. A nova aposta em espaço, equipamentos e preço competitivo para convencer quem ainda observa os carros elétricos com desconfiança. O nome voltou, mas a receita foi completamente reescrita.





