Agora é oficial. O namoro entre Honda e Nissan durou pouco. As marcas anunciaram oficialmente o fim da relação, numa novela que envolve até uma “pulada de cerca”. Não foi surpresa porque a imprensa japonesa já havia ventilado um desacordo entre as duas montadoras na semana passada.
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Honda e Nissan confirmaram nessa quinta-feira (13) o rompimento do memorando de entendimento assinado em 23 de dezembro. A Mitsubishi, que faz parte da aliança Renault-Nissan, também se interessou por uma fusão.
Conforme um comunicado em conjunto das duas japonesas, durante as discussões várias opções foram consideradas para a integração de negócios.
A Honda propôs mudar a estrutura de estabelecer uma holding conjunta, com a qual nomearia a maioria dos diretores e o diretor executivo com base em uma transferência de ações conjunta, para uma estrutura onde a Honda seria a empresa-mãe e a Nissan a subsidiária por meio de uma troca de ações.
Ou seja, a Honda queria a Nissan como subsidiária, e não como uma holding conjunta, o que não agradou ao conselho da Nissan.
A Renault informou nessa quinta-feira que a proposta da Honda era “inaceitável”.
Mesmo após o rompimento, as três montadoras japonesas disseram que pretendem continuar trabalhando juntas no desenvolvimento de veículos elétricos e carros inteligentes, como os modelos de direção autônoma.
Crise desde 2018
De um lado, a Nissan luta para sobreviver depois de uma crise de liderança iniciada em 2018, desde a prisão do ex-presidente, o brasileiro Carlos Ghosn, hoje refugiado no Líbano.
Além disso, uma redução de sua participação nos EUA e uma demora para inovar na eletrificação também levaram a resultados desfavoráveis, como a queda de 93% no lucro líquido do primeiro semestre de 2024.
Tudo isso, obrigando a Nissan a elaborar um plano de reestruturação até 2026, o que vai lhe obrigar a fechar fábricas e a eliminar pelo menos 7 mil vagas de emprego.
A Honda, por sua vez, em melhor situação financeira, via na Nissan uma aliada na eletrificação e na força para ganhar mercado num momento de ataque das chinesas.
A fusão teria criado o terceiro maior grupo automotivo mundial e o quarto maior do mundo em vendas de veículos, atrás de Toyota, Volkswagen e Hyundai.
Quais as saídas para a Nissan?
Além de um robusto plano de reestruturação, a aliança com uma gigante de tecnologia surge como uma possível salvação da montadora japonesa, em conversas que já teriam acontecido em paralelo às negociações com a Honda.
As agências de notícias de Taiwan noticiaram conversas entre a Foxconn, que produz a maioria dos chips de computador avançados do mundo, e a Nissan. Por isso que a imprensa e o mercado já antecipavam que a fusão com a Honda havia azedado.
A companhia de tecnologia tenta há anos desenvolver veículos elétricos e o atual líder da área de mobilidade, Jun Seki, é um ex-executivo da Nissan.
Até a Renault, que possui 36% de ações da Nissan, mostrou-se interessada em vender sua parte à Foxconn, uma das fabricantes do iPhone em Taiwan, disseram fontes do mercado.
Por Lucia Camargo Nunes da @viadigitalmotorsoficial
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