Quem sente saudade do Volkswagen Golf ganhou um novo motivo para prestar atenção no hatch. A marca colocou o modelo novamente sob os holofotes, desta vez com uma preparação tão radical que deixou até o Golf R parecendo comportado.
O carro tem potência na casa dos 1.000 cv, tração integral, carroceria de fibra de carbono e um escapamento que termina no para-choque dianteiro. Mas é melhor conter a empolgação: ainda não se trata da volta do Golf às concessionárias brasileiras.
Batizado de Mega Golf, o projeto foi desenvolvido pela Volkswagen Motorsport na África do Sul para disputar provas de subida de montanha. O modelo é baseado no Golf GTI de oitava geração, embora tenha preservado muito pouco da configuração encontrada nas ruas.
Motor de Audi leva Golf a outro patamar
O conhecido motor 2.0 turbo de quatro cilindros do Golf GTI foi retirado. Em seu lugar, a equipe instalou o propulsor 2.5 turbo de cinco cilindros utilizado em esportivos da Audi, como o RS3.
Após uma preparação profunda, a potência chegou a aproximadamente 735 kW, valor que coloca o carro na casa dos 1.000 cv. A Volkswagen não divulgou números de aceleração ou velocidade máxima, mas a força é comparável à de alguns dos hipercarros mais potentes do mundo.
O conjunto recebeu componentes especializados da Bartek e gerenciamento eletrônico da Motec. Toda a potência é distribuída para as quatro rodas por um câmbio sequencial Sadev ST4-917 preparado para suportar as exigências das competições.
A configuração também explica uma das características mais curiosas do projeto. Em vez de percorrer toda a parte inferior do carro e terminar na traseira, o sistema de escapamento tem uma saída curta instalada no para-choque dianteiro.
Dependendo do ângulo, a abertura pode até ser confundida com uma entrada de ar. Quando o motor de cinco cilindros entra em funcionamento, porém, não resta dúvida sobre sua finalidade.
Golf ganhou carroceria larga e asa gigante
A transformação não ficou restrita ao motor. O Mega Golf recebeu uma carroceria de fibra de carbono muito mais larga, com para-lamas alargados, grandes entradas de ar e uma abertura generosa sobre o capô.
Na traseira, chamam atenção a enorme asa e o difusor desenvolvido para aumentar a estabilidade em alta velocidade. O interior foi completamente esvaziado e abriga somente o banco do piloto, além da estrutura de proteção exigida para carros de competição.
Freios fornecidos pela AP Racing ajudam a controlar o hatch, enquanto o pacote aerodinâmico foi projetado especialmente para provas de subida de montanha. Nesse tipo de disputa, os pilotos percorrem individualmente um trecho curto, sinuoso e íngreme contra o cronômetro.
Segundo a Volkswagen Group Africa, o carro foi construído pelo preparador Michael Allers e será conduzido pelo piloto sul-africano Jonathan Mogotsi.
Estreia terminou antes da final
O primeiro teste competitivo aconteceu no Top of the Hill Challenge, disputado no circuito de Zwartkops, na África do Sul. O Golf começou bem e apareceu entre os três mais rápidos durante os treinos e as classificatórias.
Problemas comuns a um projeto recém-construído, entretanto, impediram Mogotsi de disputar a fase final. A equipe não informou qual componente apresentou defeito.
Mesmo sem completar a estreia, o desempenho inicial animou a Volkswagen Motorsport. Mike Rowe, chefe da divisão, afirmou que o carro mostrou enorme potencial e antecipou que a equipe pretende corrigir os problemas para voltar às provas.
Por enquanto, o Golf de aproximadamente 1.000 cv continuará restrito às pistas. Não existe previsão de uma versão de produção nem de retorno do modelo ao Brasil. Ainda assim, o projeto mostra que o hatch pode voltar a surpreender mesmo depois de mais de cinco décadas de história.





