A BYD decidiu entrar em um dos terrenos mais protegidos da indústria automobilística mundial com o menor carro de sua história. O Racco começou a ser vendido no Japão por 2,145 milhões de ienes, aproximadamente R$ 67 mil em conversão direta.
O valor coloca o elétrico chinês abaixo de concorrentes japoneses tradicionais. Com o subsídio concedido pelo governo local, o preço da versão de entrada cai para 1,995 milhão de ienes, aproximadamente R$ 62 mil.
Esses valores não representam quanto o Racco custaria no Brasil. A conversão desconsidera impostos, frete e outros custos de importação. Até o momento, a BYD também não anunciou planos de trazer o modelo ao mercado brasileiro.
Mesmo assim, o lançamento merece atenção por mostrar até onde a fabricante chinesa está disposta a ir para conquistar espaço fora de seu país. Segundo o site especializado ChinaEVHome, o Racco recebeu mais de 5 mil pedidos na primeira semana de pré-venda. O volume já representa metade da meta estabelecida pela BYD para todo o ano de 2026.
Menor que o Dolphin Mini
Com 3,39 metros de comprimento, 1,47 m de largura e 1,80 m de altura, o Racco é 38 centímetros mais curto que o Dolphin Mini vendido no Brasil. A distância entre-eixos é de 2,52 m.
As medidas não foram escolhidas por acaso. O elétrico foi desenvolvido especificamente para atender às regras dos chamados “kei cars”, categoria de carros pequenos que responde por cerca de um terço das vendas de veículos novos no Japão.
Esses modelos precisam respeitar limites rígidos de tamanho e potência, mas recebem benefícios tributários e são valorizados pela facilidade para circular em ruas estreitas e estacionar nas grandes cidades japonesas.
Apesar das dimensões reduzidas, o formato alto e quadrado ajuda a aproveitar melhor a cabine. O Racco leva quatro pessoas e possui porta-malas de 280 litros, capacidade que pode chegar a 1.372 litros com os bancos traseiros rebatidos.
Outro destaque são as portas traseiras corrediças com acionamento elétrico. Nas versões mais caras, elas podem ser abertas por um movimento do pé, facilitando o acesso quando o motorista está com sacolas ou carregando uma criança.
Autonomia de até 320 km
O Racco será vendido em três versões. A configuração 200 utiliza uma bateria Blade de 22,4 kWh e possui autonomia de 210 km no ciclo japonês WLTC. Seu preço é de 2,145 milhões de ienes, os R$ 67 mil da conversão direta.
As versões 300 Plus e 300 Premium recebem uma bateria maior, de 35,84 kWh, capaz de proporcionar até 320 km de autonomia. Elas custam, respectivamente, 2,398 milhões e 2,497 milhões de ienes, valores próximos de R$ 75 mil e R$ 78 mil.
Segundo a BYD Japão, trata-se do primeiro kei car elétrico comercializado no país a superar a barreira dos 300 km de autonomia.
Todas as configurações possuem um motor elétrico dianteiro de 64 cv e 160 Nm de torque. A potência coincide com o limite estabelecido pelas regras japonesas para a categoria.
O Racco também oferece carregamento rápido em corrente contínua de até 50 kW, pré-aquecimento da bateria e os sistemas V2L e V2H. Com eles, a energia armazenada no carro pode alimentar equipamentos elétricos ou até auxiliar no fornecimento de eletricidade para uma residência.
Preço pressiona os japoneses
O principal adversário do novo BYD é o Nissan Sakura, elétrico que custa a partir de 2,448 milhões de ienes e oferece 180 km de autonomia. A lista de concorrentes inclui ainda o Mitsubishi eK X EV, tabelado em 2,662 milhões de ienes, e o Honda N-One e:, que parte de 2,699 milhões de ienes.
A vantagem inicial do Racco diminui depois da aplicação dos incentivos governamentais. Modelos produzidos por fabricantes japonesas podem receber subsídios maiores, o que permite que alguns rivais fiquem mais baratos para o consumidor local.
A aposta da BYD está na relação entre preço, autonomia e equipamentos. Desde a configuração de entrada, o modelo oferece painel digital, central multimídia de 10,1 polegadas, seis airbags e atualizações remotas de software.
As versões superiores ganham tela de 12,3 polegadas, bancos e volante aquecidos, revestimento de couro sintético e uma lista mais ampla de assistentes de condução.
O desafio será convencer um público historicamente fiel às marcas locais. A BYD vendeu pouco mais de 7.400 automóveis no Japão entre o início de 2023 e o fim de 2025. O Racco, sozinho, conseguiu mais de 5 mil pedidos em sete dias. Pequeno no tamanho, ele pode se transformar no maior teste da fabricante chinesa em território japonês.





