A picape que deve encerrar um ciclo de mais de quatro décadas da Volkswagen entrou em uma fase decisiva de desenvolvimento. A nova Tukan foi flagrada rodando no interior de São Paulo em uma inédita configuração de cabine simples, voltada principalmente ao trabalho.
O protótipo ainda estava completamente camuflado, mas havia um detalhe difícil de esconder: unidades da Fiat Strada acompanhavam a Tukan durante os testes. A Volkswagen usa a campeã de vendas como parâmetro para avaliar comportamento, capacidade de carga e resistência da futura picape.
Com a nova picape, a Volkswagen pretende avançar justamente sobre o território mais valioso da Fiat. A Strada terminou o primeiro semestre de 2026 como o veículo mais vendido do Brasil, com 83.032 unidades emplacadas.
A nova picape deverá disputar desde as vendas para produtores rurais e frotistas até consumidores que hoje procuram versões mais equipadas de Strada, Chevrolet Montana e Fiat Toro.
O detalhe que revela a estratégia da Volkswagen
A configuração de cabine simples era uma das principais dúvidas em torno da Tukan. Até agora, a picape havia aparecido principalmente com cabine dupla, quatro portas e uma proposta mais próxima dos modelos intermediários.
Ao colocar nas ruas uma variante destinada ao trabalho, a Volkswagen mostra que não pretende abandonar o público da Saveiro. Essa versão deverá combinar uma cabine com algum espaço atrás dos bancos e uma caçamba maior do que a oferecida pela configuração de quatro portas.
A suspensão traseira também será diferente da utilizada pela Saveiro. A Tukan deverá adotar eixo rígido com feixe de molas, solução semelhante à encontrada na Fiat Strada e em picapes maiores.
Esse conjunto tende a suportar melhor o uso constante com carga, estradas ruins e rotinas mais severas. A expectativa é de capacidade superior a 700 quilos, embora a Volkswagen ainda não tenha divulgado a ficha técnica definitiva.
A mudança mostra como o projeto se distancia da Saveiro. Enquanto a veterana nasceu com arquitetura derivada de um automóvel, a Tukan está sendo preparada desde o início para atender às exigências de uma picape de trabalho.
De motor conhecido a versão híbrida
A Volkswagen deverá montar uma gama bastante ampla para a nova picape. Nas versões mais simples, uma das possibilidades é manter o conhecido motor 1.6 16V flex da Saveiro, combinado ao câmbio manual de cinco marchas.
As configurações intermediárias poderão receber o motor 1.0 170 TSI, com até 116 cv e 16,8 kgfm de torque, associado ao câmbio automático de seis marchas. Esse conjunto já equipa versões do Volkswagen Tera.
No topo da gama, a grande novidade deve ser o motor 1.5 TSI flex com sistema híbrido leve de 48 volts. O conjunto eletrificado poderá chegar a cerca de 150 cv e usar uma bateria pequena para auxiliar o motor a combustão nas arrancadas e retomadas, além de reduzir o consumo.
Nenhuma dessas motorizações teve todos os detalhes confirmados pela fabricante. A Volkswagen já informou, porém, que a Tukan será produzida em São José dos Pinhais, no Paraná, e marcará a estreia de um veículo eletrificado da marca fabricado no país.
A picape será construída sobre a plataforma MQB Hybrid, uma evolução da arquitetura usada em modelos como Polo, Virtus, Nivus e T-Cross. A estrutura foi alongada e reforçada para receber a caçamba, suportar mais peso e acomodar o sistema híbrido.
Tukan será maior e mais moderna que a Saveiro
Mesmo na versão de cabine simples, a Tukan será maior e mais larga que a Saveiro. A configuração de cabine dupla deverá ter porte próximo ao da Chevrolet Montana, embora algumas versões possam avançar sobre a faixa ocupada pela Fiat Toro.
O visual ainda permanece escondido pela camuflagem, mas os protótipos indicam uma dianteira alta, faróis ligados à grade e elementos inspirados nos Volkswagen Tera e Nivus. Na traseira, as lanternas deverão ser conectadas por uma faixa horizontal, enquanto o nome Tukan aparecerá estampado na tampa da caçamba.
A cabine também será mais moderna. As versões caras deverão oferecer painel digital, central multimídia, conectividade e assistências eletrônicas de condução. Já os modelos comerciais devem apostar em revestimentos mais simples e resistentes para controlar o preço.
A Volkswagen confirma que a Tukan foi desenhada, planejada e desenvolvida no Brasil. O nome faz referência ao tucano e mantém a tradição da marca de usar denominações ligadas à identidade brasileira.
O que acontecerá com a Saveiro?
Lançada em 1982, a Saveiro atravessou diferentes gerações do Gol e se tornou um dos modelos mais longevos ainda fabricados no Brasil. A picape resistiu até mesmo ao encerramento da produção de Gol, Voyage e Parati, mas sua plataforma antiga limita a adoção de novas tecnologias e de uma cabine dupla com quatro portas.
A Volkswagen ainda não anunciou oficialmente a data de despedida da Saveiro. A chegada da Tukan em 2027, entretanto, indica que a veterana está perto de deixar a linha de produção.
A cabine simples será decisiva nessa transição. Sem ela, a Tukan correria o risco de ficar cara demais para substituir as versões de trabalho da Saveiro. Com uma configuração mais básica, a Volkswagen poderá manter presença entre as picapes de entrada e, ao mesmo tempo, disputar consumidores de modelos maiores.
O flagra no interior paulista deixa essa estratégia mais clara: a Volkswagen não prepara apenas uma substituta para a Saveiro. A marca desenvolve uma família de picapes com a ambição de enfrentar diretamente o veículo mais vendido do Brasil.





