Volkswagen encontra a fórmula dos elétricos baratos e já soma 70 mil pedidos

Grupo reúne quatro compactos elétricos, compartilha componentes e concentra a produção para reduzir custos sem transformar os carros em modelos básicos

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Volkswagen ID. Polo simboliza a estratégia do grupo de compartilhar plataformas e componentes para tornar os carros elétricos mais acessíveis (Volkswagen, divulgação)

Baratear um carro elétrico não parece depender de uma bateria milagrosa ou da retirada de todos os equipamentos. A Volkswagen está mostrando que a resposta pode estar em algo bem menos visível: dividir os custos do mesmo projeto entre várias marcas e transformar uma única arquitetura em carros com personalidades diferentes.

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Foi assim que nasceram Volkswagen ID. Polo, Volkswagen ID. Cross, Cupra Raval e Škoda Epiq. Os quatro fazem parte da chamada “Electric Urban Car Family”, a nova família de elétricos compactos do Grupo Volkswagen.

O primeiro resultado já apareceu. Segundo a própria montadora, os modelos ultrapassaram 70 mil pedidos poucas semanas depois das primeiras estreias. Desse total, 25 mil foram apenas para o ID. Polo. A marca alcançou o número quando três dos quatro carros estavam disponíveis e o ID. Cross ainda começava sua pré-venda.

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O sucesso inicial mostra que existe público para elétricos menores e mais baratos. O problema para o motorista brasileiro é que, até agora, nenhum integrante dessa família foi confirmado para o país.

A conta começa a fechar na fábrica

A principal peça da estratégia é a plataforma MEB+, uma evolução da arquitetura elétrica usada pela Volkswagen. Em vez de desenvolver separadamente um hatch da Volkswagen, um hatch esportivo da Cupra e dois SUVs compactos, o grupo criou uma base comum para todos eles.

Motores, baterias, sistemas eletrônicos, software e diversos componentes estruturais são compartilhados. O desenho, a cabine, a suspensão, os acabamentos e o acerto de direção mudam para que cada carro preserve a identidade de sua marca.

Os quatro também são produzidos na Espanha. ID. Polo e Cupra Raval saem da fábrica de Martorell, enquanto Škoda Epiq e ID. Cross são feitos em Pamplona. Concentrar a montagem em duas unidades reduz a complexidade logística e permite comprar componentes em volumes maiores.

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A Volkswagen estima que a cooperação entre suas marcas deve gerar cerca de 650 milhões de euros em sinergias ao longo de todo o ciclo de vida dos veículos. É essa economia de escala, e não apenas a retirada de equipamentos, que ajuda a derrubar o preço final.

Menos bateria, mas sem transformar o carro em um modelo básico

Outro ponto da fórmula está no tamanho das baterias. Em vez de instalar pacotes enormes para anunciar autonomias difíceis de usar no cotidiano, a Volkswagen criou versões voltadas aos deslocamentos urbanos.

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O ID. Polo mais barato, por exemplo, usa uma bateria de 37 kWh. Ela proporciona até 334 quilômetros de autonomia no ciclo WLTP e pode passar de 10% a 80% da carga em aproximadamente 23 minutos.

O preço inicial na Alemanha é de 24.995 euros. O valor não deve ser simplesmente convertido em reais, já que impostos, frete, homologação e estratégia comercial seriam diferentes no Brasil. O dado serve para mostrar o posicionamento: o ID. Polo quer disputar compradores com carros compactos a combustão, e não apenas com elétricos de segmentos superiores.

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Apesar da bateria menor, a versão de entrada mantém painel digital de 10 polegadas, central multimídia de 13 polegadas, ar-condicionado automático, faróis de LED e assistentes de permanência em faixa e monitoramento lateral.

Há também versões com baterias maiores e autonomias próximas de 450 quilômetros, dependendo do modelo. A ideia é oferecer uma configuração urbana mais acessível e cobrar mais de quem realmente precisa viajar longas distâncias.

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Quatro carros com a mesma espinha dorsal

O ID. Polo é o hatch tradicional da família. Ele recupera um nome conhecido da Volkswagen e tenta corrigir algumas críticas feitas aos primeiros elétricos da marca, inclusive com comandos físicos para funções importantes.

O Cupra Raval usa a mesma base, mas aposta em desenho mais agressivo, acabamento esportivo e versões com até 226 cv. A estratégia permite que o grupo cobre mais por algumas configurações sem precisar desenvolver um carro completamente novo.

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Já o Škoda Epiq é um SUV compacto voltado à praticidade. Mesmo com pouco mais de quatro metros, oferece porta-malas de até 475 litros e autonomia aproximada de 440 quilômetros nas versões com bateria maior.

O ID. Cross completa a família como uma alternativa elétrica ao T-Cross. O SUV tem três opções de potência, baterias de 37 kWh e 52 kWh e autonomia de até 427 quilômetros. Seu preço inicial na Alemanha fica perto de 28 mil euros.

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Assim, uma mesma arquitetura atende quem procura hatch urbano, carro esportivo ou SUV familiar. É uma forma de multiplicar o público sem multiplicar os custos na mesma proporção.

Por que essa fórmula ainda não chegou ao Brasil?

A Volkswagen escolheu outro caminho para começar a vender elétricos por aqui. Depois de oferecer ID.4 e ID. Buzz por assinatura, a empresa confirmou que o ID.4 será seu primeiro carro totalmente elétrico vendido no Brasil, ainda em 2026.

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O ID.4, porém, é um SUV maior e mais caro. Ele não reproduz a proposta de volume e baixo custo aplicada à nova família compacta.

Cupra e Škoda também não possuem operação oficial de automóveis no mercado brasileiro. Restariam ID. Polo e ID. Cross, mas nenhum dos dois foi anunciado para o país. Importá-los da Espanha ainda acrescentaria frete, impostos e custos de distribuição capazes de desmontar parte da vantagem obtida nas fábricas europeias.

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Para que a fórmula funcionasse por aqui, a Volkswagen provavelmente precisaria adaptar o projeto às condições locais ou produzir ao menos um dos modelos na América do Sul. Por enquanto, a estratégia brasileira está mais concentrada nos híbridos flex e na chegada gradual de elétricos importados.