Uma cidade maia praticamente intacta, escondida durante mais de mil anos na floresta do México, pode ajudar arqueólogos a reconstruir um período decisivo da história da América pré-colombiana.
Batizado de Minanbé, o sítio ocupa cerca de 15 hectares na Reserva da Biosfera de Calakmul, no estado de Campeche. O local conserva um templo piramidal com mais de 13 metros, além de monumentos com inscrições.
Como funciona o sistema que achou a cidade
Cidade maia surgiu sob a floresta
Minanbé havia aparecido em dados obtidos há 13 anos por escaneamento aéreo com LiDAR, tecnologia que lança pulsos de laser e calcula a distância entre a aeronave e a superfície atingida.
Ao filtrar digitalmente a vegetação, o sistema expõe variações do terreno causadas por antigas construções. Como ocorreu com outras cidades antigas sob florestas, os resultados ainda precisavam ser confirmados no solo.
Para alcançar as ruínas, arqueólogos e trabalhadores da comunidade de Constitución abriram cerca de cinco quilômetros de passagem com facões. Depois, percorreram a pé uma distância semelhante pela mata.

“Nos últimos três anos, é o primeiro que encontramos intacto, não há sinais de saque. Foi uma descoberta, uma grande surpresa”, afirmou o arqueólogo Ivan Šprajc ao órgão mexicano responsável pela pesquisa.
O que foi encontrado em Minanbé
O levantamento terrestre confirmou um núcleo urbano organizado em torno de praças. Os pesquisadores registraram edifícios ligados ao poder político e à vida religiosa, além de terraços próximos a áreas úmidas com canais.
Entre os principais elementos identificados estão:
- um templo piramidal com mais de 13 metros;
- 14 monumentos, entre estelas e altares;
- uma calçada ligando setores da cidade.
O templo apresenta características do estilo arquitetônico Río Bec, conhecido pela alvenaria de acabamento cuidadoso, pelas escadarias inclinadas e pelas molduras instaladas nas partes superiores das fachadas.

A presença de canais também possui grande importância. Essas obras podem revelar como era realizado o controle hídrico da região e manejo das áreas agrícolas.
Monumento guarda data de 849 d.C.
Uma das peças mais importantes é a Estela 1, gravada com uma cena na qual um personagem segura um objeto semelhante a um machado ou uma faca enquanto decapita outra figura.
Apesar da erosão do calcário, o epigrafista Octavio Esparza Olguín identificou o sinal calendárico 5 ajaw, associado ao ano de 849 d.C. A leitura ainda poderá ser refinada durante as próximas análises.
A data coloca o monumento no Clássico Terminal, período marcado por transformações políticas nas Terras Baixas Maias. Muitos centros perderam população ou foram abandonados entre os séculos 9 e 10.
Fotografias feitas no sítio permitiram criar modelos tridimensionais dos monumentos. A técnica ajuda os especialistas a aumentar contrastes e visualizar inscrições que dificilmente seriam percebidas apenas por observação direta.






