O uso regular de corticoide pode afetar o crescimento corporal, segundo um estudo realizado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O medicamento é utilizado no tratamento de inflamações e alergias.
A pesquisa foi conduzida pelo Laboratório de Investigação de Doenças Crônicas (Lidoc) em ratos em três fases da vida, equivalentes à infância, à adolescência e à vida adulta. O medicamento estudado foi o corticoide dexametasona, anti-inflamatório sintético amplamente utilizado na prática clínica.
O remédio causa efeitos colaterais como, por exemplo, o aumento do risco de desenvolver diabetes ou o acúmulo de gordura no fígado. A hipótese dos pesquisadores era que a exposição repetida ao medicamento, desde a infância, agravaria os distúrbios metabólicos na idade adulta.
Estudo aponta que uso regular de corticoide pode influenciar crescimento corporal
Embora os efeitos nocivos do uso contínuo do remédio sejam conhecidos, pouco se sabe sobre o impacto de tratamentos com intervalos ao longo da vida, como o uso periódico, por exemplo, sempre que uma doença crônica volta a atacar. O resultado do estudo, contudo, foi diferente do esperado pelos cientistas.
Os animais que receberam o medicamento desde a infância até a idade adulta não apresentaram a maioria dos efeitos colaterais observados nos ratos que receberam o corticoide apenas na fase adulta, como intolerância à glicose, acúmulo de gordura no fígado e aumento dos níveis de insulina.
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“O animal exposto primeiro na infância e depois na adolescência desenvolveu uma adaptação ao medicamento, que parece resistir ao efeito quando chega à vida adulta. Essa exposição poderia exigir aumento da dose para obtenção dos mesmos efeitos de alguém que foi exposto apenas quando adulto”, explica Alex Rafacho, professor do Programa de Pós Graduação em Farmacologia da UFSC e coordenador do estudo.
Por outro lado, observou-se que o uso intervalado, iniciado na infância e mantido ao longo do desenvolvimento, reduziu o crescimento corporal nos animais em que o medicamento foi aplicado desde a infância. Quando adultos, estes ratos apresentaram peso menor do que aqueles que receberam as doses apenas na fase adulta.
Segundo o professor, os resultados encontrados chamam a atenção para a importância de se considerar todo o histórico dos pacientes.
“A abordagem clínica não está perguntando aos adultos se foram expostos na infância, ela costuma considerar apenas os sintomas atuais do paciente. A exposição lá na infância poderia explicar por que determinados adultos precisam de uma dose maior de determinado fármaco. Mas não necessariamente os clínicos, os médicos, saberão isso”, explica.
A pesquisa é resultado da dissertação de mestrado de Carolina de Moraes Silveira Peixe, do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da UFSC. Os resultados foram publicados em artigo na revista científica Biochemical Pharmacology.




