Durante mais de 40 anos, o paleontólogo David Schwimmer reuniu fósseis dispersos de um predador que viveu na América do Norte entre 83 milhões e 76 milhões de anos atrás. Agora, esse trabalho ganhou corpo em uma réplica montada de 9,45 metros, quase um ônibus.
O esqueleto de Deinosuchus schwimmeri foi instalado no Tellus Science Museum, no estado Geórgia, EUA. A montagem é apresentada como a primeira reconstrução científica completa e articulada da espécie.
Um esqueleto inédito
O projeto levou dois anos e reuniu Schwimmer e a empresa Triebold Paleontology. A equipe produziu escaneamentos tridimensionais de alta resolução para reposicionar os ossos e os osteodermos, placas inseridas na pele que formavam a armadura dorsal.
A espécie recebeu o nome Deinosuchus schwimmeri em 2020, em homenagem ao pesquisador. No estudo que revisou o gênero, Adam Cossette e Christopher Brochu compararam fósseis de diferentes regiões e

A revisão também reforçou a ligação do animal com ambientes costeiros e semiaquáticos. Marcas em ossos de dinossauros e cascos de tartarugas indicam que sua dieta podia incluir presas grandes, embora os fósseis não revelem a frequência desses ataques.
O que os fósseis mostram
O apelido de “caçador de dinossauros” não depende apenas do tamanho. Dentes robustos, mandíbulas largas e marcas compatíveis com sua mordida sustentam a hipótese de ataques a animais próximos da água, em estratégia semelhante à observada entre crocodilianos atuais.

Ainda assim, a réplica de 9,45 metros não encerra a discussão sobre o comprimento real. Um estudo publicado em 2025 analisou 219 características anatômicas de 128 crocodilianos vivos e extintos e aplicou uma correção filogenética às estimativas de tamanho.
Nesse modelo, a estimativa superior considerada mais plausível chegou a 6,37 metros para D. schwimmeri e 7,66 metros para D. riograndensis. Os autores argumentaram que cálculos antigos, baseados no comprimento do crânio ou da mandíbula, podem ter ampliado o corpo ao usar espécies modernas com proporções diferentes.

Parentesco em disputa
O estudo de 2025 também mudou outro ponto. Durante décadas, o Deinosuchus foi tratado como um parente antigo dos jacarés. A nova árvore evolutiva o colocou fora desse grupo, numa linhagem mais basal próxima da origem dos crocodilianos modernos.
A análise ajuda a explicar por que fósseis aparecem dos dois lados do antigo Mar Interior Ocidental, que dividia a América do Norte. Os autores propõem que o animal tolerava água salgada e podia atravessar ambientes marinhos ou costeiros.
Mais que uma vitrine
Para Schwimmer, a reconstrução reúne uma investigação iniciada em 1979, quando encontrou seus primeiros restos de Deinosuchus. Parte do material foi depositada em instituições como o Smithsonian, o Museu Americano de História Natural e o Tellus Science Museum.
Montado em tamanho real, o esqueleto permite observar onde ficavam as placas da couraça e como as partes preservadas se conectavam. Também evidencia a diferença entre o que o fóssil comprova, o que a anatomia comparada permite reconstruir e o que permanece em debate.
Autor: Luiz Dias






