Esqueleto em sarcófago romano na Abadia de Westminster pode ser de um abade medieval

Datação por carbono situou os restos mortais entre 987 e 1052, e o sarcófago do século IV foi reutilizado para o sepultamento. Pesquisa aponta dois abades da abadia como candidatos

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Restos mortais encontrados dentro de um antigo sarcófago romano podem pertencer a um abade medieval. (Foto: Strephon Duckering/Abadia de Westminster)

Um esqueleto guardado há mais de dois séculos na Abadia de Westminster, em Londres, pode finalmente ter sua identidade esclarecida. Nova pesquisa indica que os ossos, encontrados dentro de um sarcófago romano, pertenceram a um religioso de alta posição que viveu há aproximadamente mil anos.

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O estudo foi publicado em 21 de outubro de 2026 no Journal of the British Archaeological Association, com autoria do professor Warwick Rodwell, arqueólogo consultor da abadia. Os resultados levaram os pesquisadores a dois possíveis nomes, ambos ligados à história do mosteiro medieval.

A história do achado começa em 1820, quando operários desenterraram por acidente o sarcófago de calcário na área da sacristia, no lado norte da abadia, e quebraram a tampa em seis pedaços. A escavação oficial e o registro do túmulo vieram quase meio século depois, em 1869, quando a tampa foi restaurada. Desde então o conjunto permaneceu sem identificação.

Dois nomes investigados

Rodwell defende que o esqueleto tenha pertencido a um abade, título concedido ao superior religioso responsável pela administração de um mosteiro.

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A principal hipótese aponta para Aelfwig, que comandou a comunidade beneditina de Westminster e morreu por volta de 1020. O religioso já vivia como monge no mosteiro antes de assumir a função, característica que o pesquisador considera relevante.

A outra possibilidade é Wulnoth, sucessor de Aelfwig, morto em 1049 e que os estudiosos acreditam ter sido sepultado nas dependências da abadia.

Embora os dois nomes sejam compatíveis com os resultados, a identificação não é definitiva. As evidências aproximam os pesquisadores da resposta, mas não estabelecem com certeza quem foi enterrado no local.

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Um sarcófago reaproveitado 700 anos depois

Um dos elementos mais importantes da investigação estava no próprio túmulo. O sarcófago de pedra traz uma inscrição dedicada a Valerius Amandinus, um britânico abastado que viveu em Londres no período romano, entre os anos 300 e 400.

A tampa, no entanto, apresenta uma cruz latina esculpida séculos depois, provavelmente entre os séculos X e XI. A diferença indicou que a estrutura funerária havia sido reutilizada: o ocupante medieval teria sido colocado em um caixão de madeira, acomodado depois dentro do sarcófago romano.

Para Rodwell, a tampa foi reesculpida com a grande cruz justamente para adaptar o sarcófago ao novo sepultamento, no período anglo-saxão. O pesquisador descreve o caso como um possível exemplo precoce de reciclagem, com um objeto de prestígio romano aproveitado por uma comunidade religiosa cerca de 700 anos mais tarde.

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O cuidado com o sepultamento também pesa na interpretação. A escolha de um túmulo elaborado e a presença de uma cruz de grandes dimensões reforçam a hipótese de que os restos mortais pertenciam a alguém de elevada importância religiosa na abadia, local onde ocorrem as coroações da monarquia britânica.

Ossos revelaram novos detalhes

Os exames conduzidos pelo especialista em ossos humanos James Young Langthorne, da empresa britânica Pre-Construct Archaeology, ajudaram a reconstruir características físicas do homem. Segundo a análise, ele morreu com idade estimada entre 35 e 49 anos e tinha aproximadamente 1,75 metro de altura.

Os resultados corrigiram uma interpretação do século XIX, que descrevia um homem robusto e jovem, de no máximo 30 anos e cerca de 1,70 metro.

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Outro avanço veio da datação por carbono, feita a partir de uma amostra óssea enviada ao Centro de Pesquisa Ambiental das Universidades Escocesas, o SUERC. O procedimento situou os restos mortais entre os anos 987 e 1052 d.C., intervalo compatível com o período em que viveram Aelfwig e Wulnoth.

A datação também fortaleceu a conclusão de que o sarcófago romano passou por adaptações no período anglo-saxão.

O mistério não terminou

A pesquisa oferece uma explicação mais consistente para a origem dos restos mortais encontrados em Westminster. Ainda assim, estabelecer a época do sepultamento e a posição social do ocupante não é o mesmo que confirmar sua identidade.