Apple AirTags: criminosos usam rastreadores para perseguir mulheres; saiba como se proteger

Dispositivos de localização ocultos em bolsas e carros viram ferramentas de stalking; em São Paulo, boletins sobre esse tipo de crime cresceram 15,5% no primeiro trimestre de 2026

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Close-up de um pequeno dispositivo de rastreamento usado em um molho de chaves.

Pequenos dispositivos de localização usados em chaves são ocultados facilmente em objetos pessoais e veículos. (Foto: Eric McLean, Pexels, CC)

As smart tags, dispositivos rastreadores usados para ajudar no monitoramento de objetos, estão sendo utilizadas de maneira indevida para assédio e perseguição de mulheres, pratica conhecida como stalking.

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Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, objetos como Apple Tags, Samsung Smart Tag e outros compatíveis com Android enviam, sem as vítimas saberem, a localização em tempo real. Muitas vezes, os dispositivos transmitem trajetos e deslocamentos escondidos em meio aos pertences das vigiadas.

Perseguições cresceram 15,5% em SP

O uso inapropriado destas tecnologias de rastreamento está se tornando cada vez mais frequente. De acordo com a 1ª Delegacia de Defesa da Mulher em São Paulo, houve um aumento de 15,5% nestas ocorrências só no primeiro trimestre deste ano.

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Entre janeiro e março de 2026, foram 104 boletins de ocorrência sobre este tipo de crime, contra 90 no mesmo período do ano passado. À Folha, a delegada Cristine Nascimento Guedes Costa afirmou que o dispositivo virou ferramenta para agressores controlarem ex-companheiras à distância:

— Eles não precisam perseguir a mulher fisicamente. Podem monitorá-la à distância com ferramentas acessíveis a qualquer pessoa.

Como se proteger dos rastreadores?

O uso de rastreadores para perseguição de mulheres ainda é muito novo, mas já é entendido como crime na legislação brasileira. Atualmente, os casos são registrados como stalking — tipificação específica para perseguição obsessiva e repetitiva, com intuito de restringir a liberdade ou privacidade da vítima.

Compilamos um guia para você se proteger desse tipo de ação criminosa:

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1) Instale aplicativos para detecção

Normalmente, celulares avisam quando há uma tag desconhecida se movendo com você. Mas esse alerta automático pode demorar horas (ou até dias) para disparar se a vítima usar um sistema operacional diferente do stalker.

A melhor forma de se proteger desses dispositivos é usando um app criado especificamente para forçar o rastreador escondido a emitir um bipe sonoro imediatamente, como o Tracker Detect e o AirGuard.

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2) Verifique interiores de pertences

É crucial também fazer uma varredura em todos os cantos suspeitos e objetos que possam ter sido alterados. Isso porque criminosos podem remover as saídas de som das tags, inutilizando os alarmes sonoros dos rastreadores.

3) Fotografe antes de remover

Se encontrar um objeto desconhecido em seus pertences, ou ainda colado a um carro ou sapato, fotografe-o antes de removê-lo. A falta de provas torna difícil demonstrar perseguição tecnológica e, nesse caso, a imagem pode virar evidência de monitoramento.