Nasa transforma 1 bilhão de observações em mapa 3D da Terra e dados brasileiros ajudam a confirmar o resultado

Medições fornecidas pelo IBGE serviram como referência independente para testar o modelo que revela variações invisíveis do campo gravitacional terrestre

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Visualização reúne mais de 1 bilhão de observações feitas por 19 satélites e 15 anos de coleta de dados (Foto: Mark SubbaRao / NASA-GSFC Scientific Visualization Studio)

Visualização reúne mais de 1 bilhão de observações feitas por 19 satélites e 15 anos de coleta de dados (Foto: Mark SubbaRao / NASA-GSFC Scientific Visualization Studio)

A forma da Terra determinada pela gravidade ganhou uma nova representação tridimensional da Nasa. Cheia de ondulações, a imagem mostra como a distribuição desigual de massa altera o campo gravitacional ao redor do planeta.

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O modelo também carrega uma contribuição brasileira. Medições de posicionamento por satélite e nivelamento fornecidas pelo IBGE foram comparadas aos resultados calculados, ajudando os cientistas a verificar seu desempenho.

Representações da Terra

Representação a partir do irregular

A visualização interativa da Nasa apresenta o geoide, uma superfície imaginária que corresponde à forma assumida por um oceano global em repouso, sujeito apenas à gravidade terrestre.

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Portanto, as ondulações não mostram montanhas, vales ou fossas oceânicas. Elas representam diferenças na atração gravitacional, provocadas pela distribuição irregular de rochas e outras massas no interior da Terra.

Em áreas em que a atração gravitacional produz um nível potencialmente mais elevado, o geoide aparece projetado para fora. Nas regiões com valores menores, a superfície de referência parece afundar.

Os extremos apresentados pela Nasa ficam em dois pontos:

  • 85 metros acima da referência nas proximidades da Islândia;
  • 106 metros abaixo no sul da Índia.

Como os dados brasileiros foram usados

O modelo exibido se chama GOCO06s. Ele foi desenvolvido pelo projeto Gravity Observation Combination, formado por instituições europeias, e detalhado em um estudo publicado em 2021.

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Para avaliar o resultado, os pesquisadores precisavam comparar as estimativas feitas a partir do espaço com medições independentes em solo. Nesse ponto, entrou o conjunto de dados fornecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019.

As informações combinavam altitudes calculadas por sistemas GNSS, como o GPS, com altitudes físicas obtidas por nivelamento. A diferença entre esses valores permite estimar a posição do geoide em pontos conhecidos do território.

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Os pesquisadores fizeram o mesmo tipo de comparação usando bases da Alemanha, do Japão e dos Estados Unidos. Assim, puderam testar o desempenho do modelo em continentes e redes geodésicas diferentes.

A contribuição brasileira foi relevante por fornecer uma referência sobre uma área extensa, mas teve limites. O próprio estudo apontou imprecisões médias associadas à dimensão continental do Brasil e a lacunas da infraestrutura geodésica.

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Modelo combina 19 satélites e 15 anos de dados

O GOCO06s reuniu mais de 1 bilhão de observações coletadas durante 15 anos por 19 satélites. A combinação permite observar desde grandes estruturas do campo gravitacional até variações de menor escala.

Entre as fontes está a missão GRACE, realizada pela Nasa com o centro aeroespacial alemão. Seus dois satélites detectavam pequenas mudanças na distância entre eles conforme atravessavam regiões com atração gravitacional diferente.