Descoberta subaquática comprovou antiga teoria arqueológica (Foto: Jag9889 / Wikimedia Commons)
Estacas de madeira encontradas no fundo do rio Aare, na Suíça, confirmaram a existência de uma ponte romana de cerca de 1.700 anos em Solothurn, antiga Salodurum. Essa descoberta sana uma suspeita de décadas sobre uma ligação entre a Itália e a Alemanha.
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Por anos, arqueólogos teorizam sobre um local de transição que conectava o norte da Itália com a fronteira germânica do Rio Reno. Porém, não havia evidências de onde poderia ser essa passagem, até agora.
Curiosidades sobre o Império Romano
O Império Romano atingiu sua maior extensão em 117 d.C., sob o governo do Imperador Trajano, com cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados (Foto: Tataryn / Wikimedia Commons)O Coliseu é um dos principais símbolos ainda vivos de Roma, onde se realizavam batalhas de gladiadores, festas, confrontos com animais e até batalhas navais (Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons)O Fórum Romano reunia a Cúria, templos, arcos e praças usados na vida política, religiosa e judicial de Roma (Foto: Dietmar Rabich / Wikimedia Commons)O Panteão foi reconstruído no governo de Adriano e preserva uma cúpula de concreto com mais de 43 metros de diâmetro (Foto: John Samuel / Wikimedia Commons)O Pont du Gard fazia parte de um aqueduto de cerca de 50 quilômetros que abastecia a cidade romana de Nîmes, na atual França (Foto: Chris0693 / Wikimedia Commons)A Via Appia começou a ser construída em 312 a.C. para ligar Roma ao sul da Península Itálica (Foto: Nicholas Hartmann / Wikimedia Commons)As Termas de Caracala podiam receber milhares de pessoas por dia em salas de banho, piscinas, bibliotecas e áreas de exercício (Foto: MatthiasKabel / Wikimedia Commons)Termopólios de Pompeia vendiam comida pronta em balcões de alvenaria para moradores e viajantes da cidade romana (Foto: Mosborne01 / Wikimedia Commons)Ânforas de garum feitas na Hispânia Bética eram usadas para transportar molho de peixe pelo Império Romano (Foto: Ian Alexander / Wikimedia Commons)Latrinas públicas romanas reuniam assentos coletivos e canais de água usados no sistema de limpeza urbana (Foto: Etan J. Tal / Wikimedia Commons)A Muralha de Adriano foi uma fortificação romana construída no século II para separar a Britânia romana dos territórios ao norte (Foto: Aqwis / Wikimedia Commons)Centuriões comandavam unidades de soldados dentro das legiões e eram reconhecidos pelo capacete com crista transversal (Foto: Luc Viatour / Wikimedia Commons)Moedas com o rosto de Augusto circularam pelo império e ajudaram a espalhar a imagem do primeiro imperador romano (Foto: Classical Numismatic Group / Wikimedia Commons)A Coluna de Trajano tem relevos em espiral que narram as guerras romanas contra os dácios no século II (Foto: Following Hadrian / Wikimedia Commons)O tablete de Vindolanda preserva um convite escrito por Claudia Severa a Lepidina na Britânia romana (Foto: Fæ / Wikimedia Commons)A Taça de Licurgo muda de verde para vermelho conforme a luz passa pelo vidro, efeito ligado a partículas de ouro e prata (Foto: Chappsnet / Wikimedia Commons)
Cadáver sob o rio Aare
De forma interessante, para encontrar uma ponte antiga, foi preciso renovar uma nova. A descoberta ocorreu por causa de investigações arqueológicas subaquáticas feitas antes da renovação de uma ponte ferroviária moderna, a Wengibrücke, em Solothurn.
Segundo o levantamento oficial da arqueologia cantonal, mergulhadores localizaram estacas de madeira ainda presas ao leito do rio. As peças ficam poucos metros acima da ponte atual, a cerca de 10 metros da margem sul. Elas formam uma fileira de quase dois metros na direção da correnteza.
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Para os arqueólogos, os troncos provavelmente faziam parte de um pilar de ponte, conhecido como apoio de estacas. Essa estrutura sustentava a parte superior em que as pessoas passavam (Foto: Zde / Wikimedia Commons)
A datação das amostras de madeira indicou que o material pertence ao século IV. Ou seja, a ponte existia no período romano tardio, quando Solothurn passava por uma mudança importante.
Importância da ponte
Naquele período, a antiga povoação romana da região deixava de ser uma cidade aberta e se transformava em um castrum, ou seja, um núcleo fortificado. Esse foi um período militar intenso em Roma, sob fustigo de povos germânicos que viviam do outro lado do Reno.
O caminho passava pelo Grande São Bernardo, seguia pelo planalto suíço ocidental e cruzava a região do Jura. A travessia em Solothurn funcionava como uma peça de ligação entre montanhas, rios e fronteiras.
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Nome da cidade já dava uma pista
A antiga Solothurn era chamada de Salodurum. O nome é uma forma latina de um termo celta associado à ideia de “estreitamento do rio” ou “porta das ondas”.
Essa pista linguística reforçava uma suspeita antiga dos pesquisadores: se havia uma estrada romana passando pelo Aare, uma ponte provavelmente existia entre eles (Foto: Gestumblindi / Wikimedia Commons)
Mesmo assim, ainda faltava uma prova física. Trechos da estrada já tinham sido encontrados entre Büren an der Aare e Nennigkofen, mas a travessia sobre o rio continuava sem confirmação direta.
Como a “ponte” sobreviveu por tanto tempo?
A preservação das estacas é considerada incomum. Em 1969, uma grande obra de correção das águas do Jura aprofundou amplas áreas do leito do rio em Solothurn. Esse tipo de ação tende a destruir vestígios antigos, mas as estacas sobreviveram.
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Em comunicado, autoridades locais envolvidas na escavação descreveram a sobrevivência dos troncos como “um golpe de sorte”. A água, nesse caso, ajudou a conservar a madeira longe do desgaste comum em terra firme.
O material não será retirado do rio. A tendência é que as estacas permaneçam submersas, onde continuam mais protegidas contra deterioração.