Você já se perguntou quanto tempo uma carta do Fritz Müller levava para chegar até as mãos de Charles Darwin, na Inglaterra, em meados de 1800? O minigame “Cartas para Darwin”, lançado pelo museu histórico nesta semana, responde a essa pergunta e muitas outras.
Muito antes da comunicação instantânea, as descobertas e observações científicas viajavam por cartas e é justamente isso que o jogo busca mostrar. Sempre tendo Blumenau como o ponto de partida, o jogador escolhe destinos e formas de enviar uma carta até Darwin: navio a vapor, avião, navio cargueiro, internet e até animais, como borboleta, formiga e uma tartaruga, podem servir de “carteiros”.
A cada escolha, o minigame mostra uma contextualização histórica, a distância e quanto tempo a mensagem levaria para chegar ao destino, seja ele Nova York ou a Lua, permitindo comparar distâncias, meios de transporte e formas de comunicação.
O jogo também tem uma coleção de selos, adquiridos durante a experiência, que permite selecionar diversos lugares ao redor do mundo e fora dele para enviar uma carta.
Para jogar o minigame, que é gratuito, não é necessário fazer download, cadastro ou criar nenhum tipo de conta. Basta acessar este link, que também pode ser encontrado pelas redes sociais do museu. Além do público em geral, o museu destaca como o minigame pode ser usado como uma ferramenta em escolas como recurso pedagógico para abordar temas como história, geografia, ciência, comunicação, tecnologia, meios de transporte, tempo e distância.
Como visitar o museu
A Casa Fritz Müller abre gratuitamente para visitação de terça a sexta-feira, das 10h às 16h. Aos sábados, funciona das 9h às 13h. O museu histórico fica localizado na Rua Itajaí, 2195, no bairro Vorstadt, em Blumenau.
Fundado em junho de 1936, o museu teve a sede construída na casa em que o cientista alemão viveu os últimos anos de vida, entre 1867 e 1897. Animais empalhados, fósseis, ossos de espécies em extinção da Mata Atlântica, insetários, pertences de Fritz Müller, e uma biblioteca especializada em temas ambientais, compuseram o acervo. Nos jardins, espécies estudadas pelo cientista seguem plantadas e vivas.
Confira como é o museu
Conheça o outro minigame
O primeiro minigame foi “Jogo das Borboletas”, lançado em julho deste ano, em que o jogador poderia se inspirar em Fritz Müller e testar o próprio olhar de naturalista. O jogo é uma corrida contra o tempo para identificar a mesma espécie de borboleta entre duas cartas e tocar nela o mais rápido que puder.
No site, também há uma pequena enciclopédia sobre as borboletas do mundo, com espécies, curiosidades e fatos sobre cada uma. Outra parte da página mostra todas as 18 coleções de insetos, entre borboletas, mariposas, besouros e cigarras, que compõem o acervo da Casa Fritz Müller. A página traz também mais detalhes sobre os espécimes expostos nas caixas entomológicas da sala “A Natureza Também Aprende” no museu.
Outra parte do minigame, destinada para dúvidas, traz ainda mais informações sobre as borboletas. Já se perguntou por que algumas têm cores tão vibrantes? E se você já viu duas borboletas idênticas, não se engane pensando que são gêmeas, isso se chama mimetismo batesiano e é um disfarce de sobrevivência. E como se classifica uma borboleta? Qual o ciclo da vida completo delas? Para saber as respostas, vale a pena conhecer o minigame.
Saiba mais sobre a história do naturalista
O homem que ajudou Charles Darwin a comprovar a Teoria da Evolução das Espécies começou a treinar o olhar científico muito antes de chegar ao Brasil. Filho de um pastor protestante na Alemanha, Fritz Müller acompanhava o pai em caminhadas pelo campo, onde aprendia sobre plantas e insetos. A curiosidade o acompanhou pela vida inteira, como conta Luiz Roberto Fontes, médico e pesquisador, entrevistado para uma reportagem especial do NSC Total que celebrou os 200 anos do nascimento do naturalista.
Formado em Medicina, recusou-se a prestar o juramento cristão exigido para receber o diploma por não concordar com o conteúdo. Ele preferiu abrir mão da carreira e emigrar para o Brasil em 1852. Quando chegou ao Vale do Itajaí, encontrou uma região coberta por mata nativa e marcada pelas dificuldades da colonização.
Em cartas da época, Müller relatava que passava mais tempo com a enxada e o machado do que com o microscópio. Ainda assim, foi justamente nesse ambiente que realizou as observações que o tornariam conhecido internacionalmente.
A partir de estudos sobre crustáceos, insetos, plantas e borboletas da Mata Atlântica, ele reuniu evidências que ajudaram a sustentar a teoria da evolução proposta por Charles Darwin. Os dois mantiveram correspondência por décadas. Müller também publicou o livro “Für Darwin”, em 1864, considerado uma das primeiras grandes confirmações experimentais da teoria evolutiva.








