Três reis apagados da história há 2.700 anos após pragas, eclipse e revoltas reaparecem em tabuletas

Nova leitura de tabuletas mostra como três reinados breves desapareceram da cronologia oficial da Assíria

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Inscrições danificadas revelam uma disputa pelo poder ausente da lista real (Foto: Ilustração gerada por IA)

Inscrições danificadas revelam uma disputa pelo poder ausente da lista real (Foto: Ilustração gerada por IA)

Durante décadas, a Lista de Reis pareceu oferecer uma sequência segura dos monarcas que governaram a Assíria. Uma nova leitura de tabuletas e inscrições, porém, aponta três nomes ausentes: apagados da história.

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A descoberta não veio de uma escavação recente. Alexander Johannes Edmonds, da Universidade de Münster, e Eckart Frahm, da Universidade Yale, voltaram a documentos já conhecidos, alguns danificados e publicados há décadas, seguindo uma lógica semelhante à de descobertas arqueológicas reavaliadas anos depois, em uma revisão jamais vista.

Como reis e outras figuras são apagadas?

“Ninguém esperava que houvesse espaço para governantes novos e desconhecidos nesse período”, afirmou Frahm ao Yale News. Segundo os pesquisadores, são eles Aššur-uballiṭ, Tiglath-pileser e Shalmaneser, todos com reinados breves de menos de dois anos.

Lista idealizada

A Lista de Reis Assírios foi preservada em três tabuletas de argila relativamente completas. Produzido e atualizado por escribas, o documento organizava a sucessão como uma linha contínua, com poucos sinais das disputas que marcaram a corte.

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No estudo publicado no Journal of Cuneiform Studies, Edmonds e Frahm compararam essa lista com concessões reais, inscrições monumentais, listas de autoridades que davam nome aos anos e uma crônica de acontecimentos.

O resultado sugere que a lista também funcionava como registro político. Ela apresentava uma versão idealizada da monarquia, capaz de retirar governantes derrotados ou inconvenientes e apagar crises sucessórias da história.

O rei do eclipse

Dentre os reis apagados, aquele que parece haver mais provas é Tiglath-pileser. Um documento de concessão de terras guardada no Museu Britânico, conhecido como Rm 75, contém atribuições a um rei já morto. Uma nova leitura de registros revelou o nome deste rei apagado.

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Os autores propõem que um filho de Šamšī-Adad V e tio do rei oficial Aššur-dān III aproveitou a crise, adotou o nome real Tiglath-pileser e recebeu a coroa em Aššur. Seu sobrinho recuperou o controle pouco depois, e o rebelde desapareceu da lista oficial.

A Crônica de Epônimos registra uma rebelião na cidade de Aššur em 763 e 762 a.C., além de uma epidemia em 765 a.C. O catálogo histórico da NASA confirma que um eclipse solar total ocorreu em 763 a.C., fenômeno que os assírios poderiam interpretar como ameaça ao soberano.

Dois reinados apagados

O caso de Shalmaneser depende de uma reconstrução mais cautelosa. Uma estela encontrada em Tell Abta, no atual Iraque, teve o nome de seu rei alterado.

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Combinada a lacunas nas listas anuais, ela sustenta a hipótese de que Shalmaneser sucedeu Aššur-nārārī V no fim de 747 a.C. e perdeu o trono para Tiglath-pileser III em 745 a.C.

Aššur-uballiṭ deixou uma pista ainda mais inesperada. Uma inscrição sobre um recipiente ritual para cerveja registra que ele acrescentou 15 kisal de prata à peça. O texto precisava citar ancestrais reais, mas evita chamá-lo de rei, possível tentativa de preservar a contabilidade do objeto sem legitimar o governante deposto.

Os pesquisadores o situam entre 913 e 912 a.C., antes de Adad-nārārī II. Uma estátua real decapitada e desgastada encontrada em Aššur também pode ter pertencido a ele, embora essa identificação permaneça incerta.