Bolsonaro usa Santa Catarina como salão de festas

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Presidente Bolsonaro em Joinville, nesta sexta-feira, 6 de agosto (Foto: Alan Santos/PR)

Indiscutivelmente, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), se sente bem em Santa Catarina. Não à toa que veio 10 vezes em dois anos e sete meses ao Estado. Ele se aproveita da alta popularidade nas Eleições de 2018 em solo catarinense para marcar agendas periódicas por aqui. Os políticos de SC o recebem sempre com muita alegria, fotos e postagens em redes sociais. Garantem que o tapete verde e amarelo – já que o vermelho ele não gosta muito – esteja sempre estendido. O que tem faltado mesmo é Bolsonaro cumprir o que se espera dele como gestor público: anúncios e investimentos para os municípios catarinenses. O erro não está em ter grande apoio. O erro está em nada vir de benefício disso tudo. 

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Como escrevi nesta sexta-feira (6), a maioria das visitas do presidente da República ao Estado foi para agendas sociais. E assim foi novamente. Bolsonaro foi a Joinville e nada anunciou. Palestrou, recebeu apoios e nada prometeu. Somente “entregou” caminhões aos Bombeiros Voluntários doados pelo Exército no começo de 2020.

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Em Florianópolis, neste sábado, só fez motociata. Não que faltassem assuntos locais para ele tratar. Como bem sabemos, sobram oportunidades federais em SC para que o presidente desse pelo menos alguma posição sobre possíveis investimentos.

Mas, outra vez, isso não aconteceu. Bolsonaro preferiu a comemoração, o abraço no meio da pandemia, a aglomeração e os agrados políticos. Fica cada vez mais claro que o presidente da República usa Santa Catarina como um salão de festas onde faz suas motociatas, passa férias e recebe o apoio que não encontra com tanto peso em outros lugares do país. Está aqui a reprodução de um apoio que já veio em 2018. Para a reeleição, entretanto, Bolsonaro terá que ver o mesmo retorno nos demais Estados, já que SC representa 3,5% do eleitorado brasileiro.

Enquanto isso, ele foca onde já é bem recebido para, visivelmente, continuar com seus ataques à democracia e se sentir numa realidade que somente os catarinenses podem proporcionar. Só que isso não pode maquiar o fato de que as necessidades públicas devem ser maiores do que a popularidade ou a disputa política de 2022. Além de que os ataques à democracia são constantes no roteiro das “festas” em terras catarinenses.

Melhor seria, obviamente, se o Estado tivesse proporcionalmente o retorno dessa repectividade toda em investimentos. SC merece muito mais do que ser apenas destino turístico e um salão de festa. SC merece que as rodovias tenham as obras aceleradas, que o aeroporto de Navegantes tenha uma nova pista, que o Contorno Viário da Grande Florianópolis seja logo concluído e que as famílias atingidas pela pandemia recebam atenção suficiente. Ainda há tempo para isso, basta Bolsonaro querer.

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