Quase 23 anos depois de uma das piores enchentes sofridas pela Capital, a cidade volta a ser palco de deslizamentos, alagamentos e enxurradas que trouxeram estragos e até uma morte confirmada pelas autoridades. Os problemas, segundo a Defesa Civil, estão mais concentrados na Ilha. No lado Norte, por exemplo, choveu 400 milímetros em dois dias. O volume normal por mês é de 200 mm. Ou seja, desde terça-feira choveu na cidade o esperado para dois meses.
O cenário de destruição se espalha de Norte a Sul, passa pela região central e impacta serviços básicos de atendimento à população. Em alguns casos pontuais são claras a falta de estrutura para enfrentar a chuva, mas não há como cobrar melhores condições diante de um volume elevado como esse. Em efeitos de comparação, na tragédia de 2008 no Vale do Itajaí, choveu 500 milímetros em quatro dias.
Agora a atenção precisa estar voltada na recuperação. Os relatos de perdas são dramáticos, preocupam e pedem uma ação rápida do poder público. Sem ter como lidar com a força do grande acumulado de chuva, a prefeitura e o Estado devem reagir o mais rápido possível para atender quem mais precisa. Nesse momento a temporada de verão passa a ser secundária. O foco deve ser as pessoas dos bairros e das praias atingidas pelos estragos.
A situação se assemelha a dezembro de 1995, quando as inundações e escorregamentos atingiram mais de 50 municípios na Grande Florianópolis e Sul do Estado. Na época o fato foi considerado o pior dos 40 anos antecedentes.