A disputa acirrada pelas duas cadeiras de Santa Catarina no Senado Federal revela cenários que precisam ser analisados a fundo na transferência de votos, conforme a pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (24). Mais do que a intenção de voto isolada, a análise da transferência entre a primeira e a segunda escolha dos eleitores mostra como os diferentes grupos políticos estão se organizando para uma eleição que permitirá ao eleitor votar em dois candidatos (veja o gráfico abaixo).
Entre os nomes da direita, os eleitores que apontam Carol de Toni (PL) como primeira opção canalizam grande parte de sua segunda escolha para Esperidião Amin (PP) e Carlos Bolsonaro (PL). A reciprocidade é direta: a base de apoio de Amin devolve a preferência de forma expressiva aos dois nomes do PL. Da mesma forma, os votos direcionados inicialmente a Carlos Bolsonaro sustentam esse alinhamento, concentrando-se prioritariamente nos outros dois nomes da direita.
Além disso, há uma parte que migra de Amin também para a categoria “Outros”, onde está inserido Antídio Lunelli (MDB), parceiro de chapa do atual Senado.
Veja o gráfico abaixo

Por outro lado, o comportamento do eleitorado de esquerda apresenta dinâmicas distintas, incluindo um segundo voto a Amin. Os simpatizantes de Décio Lima (PT) concentram sua segunda opção em candidaturas do campo da esquerda, como Afrânio Boppré (PSOL), uma parte no senador do Progressistas e fatias pulverizadas no grupo “Outros”, em votos brancos, nulos e indecisos.
O segmento de eleitores agrupados em “Outros” na primeira escolha distribui suas preferências de maneira ampla no segundo voto, dispersando-se entre candidatos de diversas correntes e consolidando um cenário em que a coesão da direita se coloca como o principal vetor no cenário atual.
