Corredor de tornados: SC precisa discutir como construir para resistir aos ventos

O governo de Santa Catarina, inclusive, pode puxar essa discussão

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(Foto: Divulgação)

Santa Catarina volta a sofrer com um tipo de episódio que já não pode ser tratado como exceção. A Defesa Civil confirmou a ocorrência de um tornado em Chapecó, no Oeste, além de Xanxerê também ter registrados fortes ventos que, nas próximas horas, podem ser configurados como tornado pelos técnicos. O momento pede prudência com as confirmações e também com as avaliações gerais. A prioridade agora é o cuidado com as pessoas. Atenção aos moradores, às famílias que ficaram sem telhado, aos vizinhos que precisam de ajuda. E atenção às estruturas atingidas.

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Passada a emergência, porém, virá também uma conversa mais difícil, que é método construtivo das regiões diante de um cenário irreversível. O Oeste e o Meio-Oeste já conhecem esse roteiro. Levantamento recentes de especialistas apontam que as regiões são corredores de tornados. Dados dizem que fica em Santa Catarina o segundo local com maior incidência deste tipo de fenômeno no mundo. Somente em 2025, foram 15 tornados registrados em cidades catarinenses.

O ponto central é que o tornado quase não dá tempo de reação. Ele se forma com pouca antecedência e se desfaz em poucos minutos. O radar ajuda a identificar a rotação e os detritos, como aconteceu em Chapecó, mas isso não entrega o prazo que uma retirada de pessoas exigiria. Prevenir em curto prazo é muito difícil. O caminho possível é reforçar as estruturas.

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Veja fotos dos estragos no Oeste

Há exemplos em outros países. No estado americano de Oklahoma, em 2013, uma das cidades passou a exigir casas novas preparadas para ventos de até 217 km/h, em vez dos 145 km/h do padrão anterior após um tornado que matou dezenas de pessoas. O código inclui ancoragens entre telhado e paredes, contraventamento contínuo e portas de garagem reforçadas. Nos Estados Unidos, esse abrigo tem padrão técnico.

O governo de Santa Catarina, inclusive, pode puxar essa discussão. Não se trata de impor um modelo único, mas de criar referências técnicas para construções em áreas de risco, de oferecer linhas de apoio para abrigos em escolas, hospitais, ginásios e prédios públicos, e de reunir Defesa Civil, universidades e engenharia para dizer o que funciona nas condições catarinenses.

É uma discussão que Santa Catarina precisa fazer. Custará mais do que o tradicional, mas é neste momento que o poder público deve contribuir. Principalmente para que as pessoas tenham danos menores em episódios futuros.