Crônica de domingo: O que os livros de história vão contar

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O que ficará no registros da história brasileira (Foto: Ricardo Wolffenbüttel/SECOM)

Os episódios mais recentes da história brasileira vão dar trabalho aos escritores de livros escolares. Há muito a ser contado, principalmente sobre como o país passou pelo momento mais crítico da sociedade mundial desde a Segunda Guerra. Seria possível descrever com base em tópicos, mas as futuras gerações merecem os detalhes de um enfrentamento à pandemia, no mínimo, tumultuado. O que o Brasil vê desde março de 2020 geraria livros inteiros de história porque o impacto do último um ano e três meses será longo.

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Não há como prever cada uma das páginas da história a ser traduzida pelos livros, mas alguns episódios ganharão mais espaço. Parte terá até ares de “figurinha repitida” em comparação com outros momentos do país. Seria desleal com o presente deixar de ver nos livros futuros as estratégias ineficazes usadas pelo governo federal como apostar em remédios sem base cientítica e negar a compra de vacinas contra a Covid-19 quando o que todos os países queriam era ter acesso aos imunizantes.

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Os discursos distantes da realidade do presidente da República, Jair Bolsonaro, também pedem um capítulo à parte. Seus rompantes e um comportamento ao estilo “gripezinha” não podem ser esquecidos. Assim como os atuais livros de histórias lembram dos temperamentos de alguns ex-presidentes e imperadores, Bolsonaro garantiu sua descrição do pior modo.

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Não parece que o presidente esteja preocupado em como ficará marcado nos livros, afinal ele demonstra desde o começo do governo que não é afeito aos registros. Para ser justo, é importante que os historiadores lembrem do comportamento de alguns brasileiros, negacionistas da realidade. Até mesmo os questionadores da ciência e dos efeitos da vacina deram as caras. Esses não podem ser deixados de lados no registros. Para as futuras gerações, o que será contado é fundamental. Ignorar o que vivemos nos últimos 15 meses seria virar uma página sem aprender nada.

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Nenhuma figura pública deve agir pensando em como vai sair no jornal ou na rede social. Mas precisa se preocupar em como ficará marcado na história. O Brasil de 2020 e 2021, até agora, estará nos capítulos tristes dos livros que ainda espero ler no futuro. Não para ter saudade ou lembrar como foi bom, mas sim como forma de comprovar que o país teve um período triste e que parecia sem fim.

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