A eleição de 2026 é a eleição de episódios de curto impacto. Os temas de repercussão se sobrepõem em questão de horas. O debate deste domingo (18) na Band, por exemplo, foi o primeiro encontro frente a frente de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os dois principais protagonistas desde o primeiro turno. As afirmações tiveram repercussão instantânea no ambiente virtual, mas não duraram muito.
Já na madrugada de segunda-feira (19), o debate foi ofuscado pelo deputado estadual de São Paulo Marcelo Aguiar (PL), detido após disparar uma arma de fogo dentro de uma casa noturna. Ainda enquanto as redes sociais repercutiam o troca-troca de acusações entre Flávio e Lula, surgiu, na manhã desta segunda, a repercussão de uma entrevista de Daniella Marques, integrante do grupo econômico do presidenciável do PL, sobre o Bolsa Família. Aliados de Flávio e de Daniella afirmam que a declaração foi distorcida pelos opositores.
E o debate foi ficando para trás, tudo isso em menos de 24 horas após a transmissão. Aliás, levou menos de 24 horas para se dissipar o grande impacto da entrevista da advogada Roberta Luchsinger à CNN, no sábado (17) à noite. Ela fez declarações que afetam a campanha de Lula, ao disparar tanto contra o presidente quanto contra o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A sensação era de que a entrevista ganharia repercussões dignas de mudar os rumos de uma eleição. Pelo menos até agora, não é o que parece ter acontecido, justamente porque o tsunami vem carregado de episódios sucessivos.
E isso vem ocorrendo há meses. As tentativas de Lula, como presidente da República, de fazer valer no impacto eleitoral as medidas anunciadas recentemente ainda não surtiram efeito significativo. Aliás, mesmo que tenham surtido, certamente as medidas foram inundadas pelos episódios que vieram nos dias seguintes.
No primeiro turno, o tema Supremo Tribunal Federal (STF) conseguiu impactar com força, o suficiente para dar a Flávio um fôlego que o levou à vitória parcial no dia 4 de outubro, diante da falta de uma estratégia de Lula para se distanciar do ministro do STF Alexandre de Moraes.
O caso Master, que atingiu o STF e Lula, gerou menos danos a Flávio. Meses antes da eleição, vieram à tona as conversas do presidenciável com Daniel Vorcaro. O que em outras eleições poderia ser considerado um fato crucial para derrubar candidaturas ficou menor diante, novamente, do tsunami eleitoral de 2026.
É uma eleição em que os fatos se misturam e se espalham pelas redes sociais em questão de minutos. Na cabeça do eleitor independente, a confusão é cada vez maior. E ainda faltam seis dias para a abertura das urnas, tempo suficiente para que o tsunami continue causando muito estrago para os dois lados.
Em um país afundado pelo tsunami da imoralidade explícita, sairá vencedor quem conseguir livrar-se mais das ondas de episódios sucessivos.
