O prédio onde fica a sede da construtora Engevix em Florianópolis, no bairro Itacorubi, vai à leilão no dia 2 de abril. É a segunda tentativa depois da determinação da 30ª Vara Cível de São Paulo (SP) na execução de uma dívida da empreiteira com o Banco da China no valor de R$ 29.929.537,01. O valor inicial no primeiro leilão foi de R$ 32.952.876,40, mas como não houve interessados o juiz responsável pelo processo reduziu para R$ 19.900.000,00, correspondente a 60% do preço estabelecido.
A estrutura do prédio contempla duas torres, mas comente uma delas será vendida. São 88 salas comerciais e 93 vagas de garagem. Caso todo o bloco não seja arrematado, há a opção de venda de lotes individuais correspondentes a cada um dos andares. Os dois últimos, o 7º e o 8º, são ocupados pela própria Engevix. Os advogados da empresa tentaram anular o leilão, mas a Justiça negou o pedido.
A empreiteira é um das envolvidas na operação Lava-Jato. Em setembro de 2015, na 19ª fase da investigação, um dos donos da Engevix, José Antunes Sobrinho, foi preso em Florianópolis. Ele morava na cidade havia 35 anos. Além da vida de negócios pelo Brasil e exterior, ele também é conhecido pelo seleto grupo de amigos que mantinha na Ilha de Santa Catarina, nos campos empresarial, da engenharia e político.
Em coletiva de imprensa no dia 21 de março, quando o ex-presidente Michel Temer foi preso, procuradores destacaram que um delator da Engevix citou repasse de R$ 1,1 milhão para uma das empresas do militar da reserva João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima, apontado pelos investigadores como operador financeiro de Temer. A operação teve como base a delação de Sobrinho, que corroborou com delação feita pelo doleiro Lúcio Funaro, apontado como operador do MDB.
Contraponto
A Engevix, que mudou seu nome para Nova Engevix, enviou nota na tarde desta terça-feira sobre o leilão:
"A Nova Engevix reitera seu entendimento de que o eventual leilão é indevido e passível de anulação. Importante informar que estão em curso as medidas judiciais necessárias para assegurar que sejam observados os direitos da Nova Engevix bem como das demais partes envolvidas e interessadas, dentre elas, o Ministério Público Federal e o Juízo competente da Operação Lava-Jato em Curitiba (PR), para os quais tal imóvel foi dado em garantia. Vale lembrar que a expedição de carta de arrematação de tal leilão foi suspensa por determinação judicial".