Enfim, a gestão apareceu no debate presidencial

Debate da Globo mostrou o que os dois presidenciáveis pensam sobre temas de gestão pública

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(Foto: Divulgação/Rede Globo)

O debate da Globo, na noite desta sexta-feira (23), foi o último confronto direto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno, no domingo (25). E, ao contrário do que se viu na Band, o formato desta vez ajudou a olhar para algo além do bate-boca. Ficou mais explícita a postura dos dois diante dos assuntos técnicos, ou seja, o jeito de cada um se comportar como gestor.

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Nesse quesito, Flávio chegou mais contido, sem o “estilo Marçal” do encontro anterior, e isso conta. Do outro lado, Lula mostrou-se mais tenso no início. Em debate de TV, o corpo fala antes do argumento.

No conteúdo, porém, a história é outra. Flávio pareceu menos preparado. Houve muita tese e pouca efetividade nas respostas, o que é típico de quem nunca atuou no Executivo. Falta a ele o repertório de quem já precisou fazer a máquina andar. Lula levou vantagem porque está na posição, ou perto dela, há tempo demais para não dominar o assunto. Só que a vantagem de conhecimento foi atrapalhada pela imagem desgastada, e as checagens ainda mostraram um presidente confuso em alguns momentos, o que é ruim para quem é o incumbente.

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As avaliações qualitativas que circularam nos bastidores depois do debate deram Lula ligeiramente melhor, enquanto Flávio também teve momentos positivos entre os indecisos, mas ainda abaixo no cômputo geral. Em eleição apertada a dois dias do voto, é esse público que decide.

Ainda assim, não creio que o debate mude o ponteiro de forma decisiva. Foi melhor que o da Band como vitrine para avaliar os candidatos como gestores, mas o ritmo desta campanha, com fatos novos todos os dias, faz com que o debate da Globo já seja página virada ao meio-dia de hoje. É o tsunami da eleição de 2026, com ondas frequentes que atropelam episódios sem parar.

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Resumidamente, o debate da Globo evidenciou que Flávio ainda precisa avançar em conhecimento de gestão, de técnica e de política, mas apresentou uma postura melhor, e isso o ajuda bastante. A população já sinalizou cansaço com a gestão de Lula e do PT, o que faz Flávio chegar à reta final ainda com o favoritismo trazido das urnas em primeiro turno, mesmo tendo o seu “teto de vidro”, assim como o atual presidente da República.

Faltando pouco mais de 24 horas para sabermos a decisão das urnas, o que já sabemos é que as discussões sobre gestão e o papel de ambos como gestor demoraram a aparecer, e a quantidade reduzida de debates contribuiu para tal. O eleitor que vai à urna neste domingo (24) carregará na cabeça pouco dos debates, mas muito do tsunami que foi a eleição de 2026.