Flávio Bolsonaro repete roteiro da família e deixa aliados com a conta política

Fuga para os Estados Unidos confirma estratégia do bolsonarismo

Compartilhe:

(Foto: Reprodução/TV Globo)

A chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos com a mulher e as filhas, três dias após a derrota para Lula no segundo turno, é a adoção de um método já conhecido pelo bolsonarismo em situações adversas. Em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro viajou para o país americano em circunstâncias distintas, levando o discurso da suposta fraude eleitoral na derrota que sofrera nas urnas. O irmão de Flávio e também filho de Jair, Eduardo Bolsonaro, foi para o mesmo país em 2025. Todos com a esperança de que Donald Trump e lideranças americanas deem abrigo, não só a eles, mas também aos discursos de questionamento eleitoral sem provas e sem fundamento.

Continua após a publicidade

Desta vez, o roteiro ganha um componente a mais. Segundo a imprensa, a saída ocorreu depois de uma decisão de Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a entrega dos passaportes do senador, em investigação por suspeita de lavagem de dinheiro, e a ordem não teria sido cumprida.

Uma medida que até pode ser questionada, o que vem sendo feita nos bastidores até por opositores a Flávio. Porém, ao optar pela rota de saída, Flávio transforma uma derrota eleitoral, que é parte normal da democracia, em pretexto. Ao mesmo tempo, aliados chegaram a aconselhá-lo a não deixar o país.

Continua após a publicidade

Enquanto isso, os líderes bolsonaristas deixam no Brasil uma série de aliados políticos, que passam a ser cada vez mais questionados sobre os próximos passos e sobre até quando vão permanecer sob um guarda-chuva que, nas primeiras adversidades, se fecha. Prefeitos, deputados, governadores e candidatos que apostaram na lealdade ao sobrenome ficam com a conta política.

A oposição de verdade, num regime democrático, se faz no território do país, com voto, mandato, debate público e respeito ao resultado das urnas. Tentar internacionalizar uma crise doméstica e buscar em terras americanas a validação que as urnas brasileiras negaram não fortalece a direita, apenas a empobrece. O bolsonarismo tem diante de si uma escolha, que é a de continuar tratando cada derrota como perseguição e cada investigação como pretexto para a fuga, ou aceitar que a política se disputa e se perde dentro das regras. Pelo que se viu até agora, o método continua o mesmo.