Uma das provas que geraram a operação Catilina, deflagrada pelo Gaeco, desta quarta-feira, no Norte de Santa Catarina, mostra que a facção criminosa investigada orientou voto a aliados na eleição de 2024 em Itapoá, numa espécie de “santinho da facção”. A suspeita do Ministério Público (MP-SC) é que o grupo criminoso catarinense infiltrou-se na política da cidade. Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelo Gaeco contra suspeitos de integrarem o esquema de influência. Um vereador está entre os alvos.
A coluna apurou que as investigações revelaram a relação entre a facção e agentes políticos de Itapoá. Na eleição municipal de 2024, um “comunicado” foi divulgado a integrantes do grupo criminoso com orientação de voto a candidatos específicos daquele ano no município, conforme prova levantada pelos investigadores do Gaeco. Mensagens em tom ameaçador também fazem parte dos materiais apurados.
A suspeita é que um político investigado atuaria como um elo institucional e operador político das demandas da facção. Segundo a apuração, benefícios e auxílios teriam sido distribuídos em comunidades sob influência da organização criminosa, com o objetivo de obter apoio político.
Em contrapartida, moradores seriam coagidos a manifestar apoio a candidatos específicos, havendo relatos de intimidações, ameaças e ações direcionadas contra eventuais opositores.
