O deputado estadual Camilo Martins (PL) já contabiliza os votos necessários para assumir a presidência da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). O acordo, fechado em torno da divisão do mandato dos dois anos de 2027 e 2028 entre ele, com um ano e meio, e Ana Campagnolo (PL), por seis meses, está consolidada com o apoio de 26 parlamentares. Na próxima semana, um encontro em Florianópolis deve consolidar o anúncio da maioria para a eleição que ocorre no começo de 2027. No acordo fechado, a primeira vice-presidência será de Ana Campagnolo. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ficará com Pepê Collaço (Progressistas) e a Comissão de Finanças e Tributação com Maurício Peixer (PL).
Em entrevista à coluna, na manhã desta sexta-feira (30), Camilo falou sobre a construção da futura presidência. Ele também destacou o que pretende fazer à frente da Alesc e falou sobre o próprio futuro político. O deputado reeleito também comentou sobre nota publicada na coluna Café com Ânderson desta quinta-feira (29), com a informação de que Gelson Merisio (PSB) estivesse contribuído com a construção nos bastidores. Camilo, porém, negou e disse que ambos deixaram de ter relação política após a ida de Merisio para o PSB.
Leia abaixo:
Deputado, o senhor hoje tem quantos votos para ser o Presidente da Assembleia?
Nós já temos hoje 26 votos. Foi uma construção coletiva. Primeiro, nós trabalhámos muito para fazer a unidade no PL. Nós tínhamos eu de candidato e a Ana (Campagnolo), e nós fizemos um entendimento. O primeiro um ano e seis meses, eu serei o presidente. Depois, eu renuncio e a Ana será a presidente da Casa nos seis últimos meses. Isso foi uma forma de a gente manter a unidade, o consenso, mas nada mais justo também, uma deputada que fez a votação que ela fez, quase 400 mil votos, ajudou muito na montagem de uma bancada muito forte. Então, nada mais justo também do que prestigiá-la.
Como é que foi essa construção desses votos todos? Por onde passou?
A construção já venho fazendo há muito tempo, não é segredo de ninguém. Desde que eu cheguei na Assembleia, todos os deputados têm um sonho. Mas, além do sonho, eu comecei uma construção de tentar ser o presidente da Assembleia. Não consegui há dois anos, e agora, quando eu me reelejo, eu faço as conversas com os deputados antes mesmo da eleição. Quando passa a eleição, eu faço a confirmação, mas a primeira pessoa que eu procuro é o governador Jorginho, pedindo autorização se eu podia prosseguir ou não com o projeto. Ele disse que, se fosse um desejo meu, que pudesse continuar construindo. Depois disso, na hora que a gente teve o consenso no PL, o governador Jorginho foi fundamental na construção. Eu até digo que ele me ajudou muito na finalização para que tenhamos a presidência. No entanto, só tivemos um entendimento com os deputados e com o próprio governador que a Assembleia vai ser totalmente independente, mas também será muito colaboradora com o governo do Estado nos projetos que vão ajudar Santa Catarina. Porquê? Primeiro, por que a Santa Catarina e os catarinenses mostraram nas urnas que é este um governo bem avaliado. Diante disso, não tenho dúvida nenhuma de que nós vamos estar lá a colaborar para que a gente possa ajudar o governador Jorginho a continuar a fazer um segundo mandato melhor que o primeiro.
Essa construção de um ano e meio à frente da Alesc, saindo nos meses finais de 2028, passa pelo futuro político do senhor, de disputar a prefeitura de Palhoça daqui a dois anos, ou foi mesmo uma construção específica para a Assembleia?
Sobre a questão da eleição de 2028, é uma construção que nós vamos fazer com a classe política da minha cidade, que é Palhoça. Eu já tive a honra de ser prefeito da cidade por duas vezes. Vou conversar com eles (grupo político). Eles que querem a minha candidatura, mas isso tem que ter muita paciência. A gente nem assumiu ainda o mandato de deputado. Eu tenho muito compromisso com diversos municípios de Santa Catarina, tanto para auxiliar o crescimento das cidades, como estar ali na Assembleia a legislar em favor deles. Assim como auxiliar na construção das candidaturas de diversos municípios em 2028. A questão da minha candidatura, ela pode ocorrer sim, mas também temos excelentes nomes que estão a trabalhar muito na cidade para que possam ter a oportunidade que eu já tive.
Os dois anos finais de Presidência da Assembleia, isso não se debateu ainda?
Ainda não se debateu, mas eu não tenho dúvida de que esses 26 nomes que hoje fazem parte do grupo que fez a maioria da Assembleia vão estar em diálogo constantemente para que a gente faça a construção dos dois últimos nomes. Eu não tenho dúvida de que, no meu modo de ver, quem melhor construir o nome, melhor trabalhar, será o presidente, que deverá provavelmente sair desses 26 nomes.
Pela trajetória do senhor política, o senhor teve uma relação de longo tempo com o Gelson Merisio (PSB). E eu gostaria de te ouvir sobre isso. Ele colaborou com esse processo? Qual é a relação de vocês hoje? Porque isso obviamente nos bastidores é bastante ventilado.
Essa conversa sai porque eu tenho uma excelente relação com o Merisio por causa do PSD. No entanto, a partir do momento que ele migra ao PSB para ser candidato a governador, nós praticamente deixamos de ter uma relação política. E, inclusive, nunca escondi isso de ninguém. Mas, ele tomou o caminho dele e eu tomei o meu caminho. Na construção da presidência da Assembleia, conforme falei antes, tivemos a participação do governador Jorginho e da bancada do PL. Merisio não teve participação nessas conversas.
O senhor, como presidente da Assembleia, vai adotar qual postura nessa relação com o governador?
Na prática, é o seguinte: o governador Jorginho é um cara muito acessível. Eu aprendi a gostar dele do jeito dele, simples que é, mas ele é um cara que é muito prático nos resultados. E eu, agora como presidente, claro, terei total independência, porque nós somos o Poder Legislativo. Eu represento os 40 deputados, mas tentarei ser muito célere nas decisões. Eu acho que o Brasil precisa disso. As pessoas no dia a dia reclamam muito da burocracia e nós, enquanto legisladores, temos que receber os projetos, aperfeiçoá-los da maneira possível. O debate tem que existir. Nós temos que ter todo o respeito, sim, ao regimento da Casa, mas não podemos ficar enrolando. Então vai ser uma relação muito cordial, respeitosa e fazendo o máximo para ajudar Santa Catarina.
O senhor espera um consenso para ser eleito?
Eu acho que a Casa tem essa grandeza. Depois de uma reunião final do governador, vou procurar todos os demais deputados eleitos, para que possa ter o diálogo, para que a gente possa construir com eles a governabilidade e ver a participação de todos eles. Porque a esquerda teve votos em Santa Catarina, tem que ser respeitada. O centro também teve votos, também tem que ser respeitado. E é esse, é esse modo de agir que a gente quer levar para a Assembleia Legislativa, mas o principal foco é ter governabilidade. Para ter governabilidade, eu tenho que ter diálogo com todos os 40 deputados.
