Juiz que atuou na Lava Jato é investigado por suspeita de furtos de champanhe em Blumenau

Fato é investigado pela Polícia Civil de SC, que remeteu caso para o TRF4 por conta do foro privilegiado do magistrado

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(Foto: Reprodução/Justiça Federal)

A Polícia Civil de Santa Catarina (PC-SC) remeteu, nesta quinta-feira (23), ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) uma investigação por suspeita de furto de garrafas de champanhe em um supermercado de Blumenau. O possível autor, segundo o documento enviado pela corporação ao TRF4, é uma pessoa com prerrogativa de foro privilegiado. A coluna teve acesso ao boletim de ocorrência que deu origem à investigação, que tem indícios contra o juiz federal Eduardo Appio, lotado na 18ª Vara de Curitiba (PR). Apesar de atuar no Estado paranaense, Appio reside em Blumenau.

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O magistrado atuou nos processos da Lava Jato no ano de 2023. Ele foi afastado da operação pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e, posteriormente, teve a transferência definitiva da função em uma audiência de conciliação. Appio, então, passou a atuar na 18ª Vara. O TRF4 foi comunicado oficialmente dos indícios contra o magistrado na tarde desta quinta-feira (23), em um e-mail enviado pela PC-SC.

O comunicado afirma que: “O referido ofício registra que a indicação de autoria se deu em sede de indícios, após oitiva de testemunha presencial e análise de imagens, consignando o apontamento de possível autor com prerrogativa de foro, razão pela qual houve a declinação de atribuição ao TRF-4, nos termos do art. 108, I, “a”, da Constituição e da LOMAN”.

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A coluna apura o caso desde a noite de quarta-feira (22). O TRF4 afirmou que não se manifesta sobre casos de apurações contra juízes por conta do sigilo dos procedimentos.

O boletim de ocorrência que deu origem à apuração da Polícia Civil foi registrado pelo supervisor de segurança do supermercado de Blumenau. O registro ocorreu no dia 7 de outubro. Ele contou que em duas datas diferentes – 20 de setembro de 2025 e 4 de outubro de 2025 -, o estabelecimento foi vítima de furto de duas garrafas de bebida alcoólica (Champanhe Moët), sendo uma em cada data.

O autor do furto, conforme o boletim, seria “um senhor com idade aproximada de 72 anos, que utiliza óculos e possui estatura aproximada de 1,76m”. O boletim segue: “Após a subtração dos itens, o suspeito deixou o local conduzindo um veículo Jeep Compass Longitude D”. O supervisor também descreveu a placa do veículo. Com a consulta do registro do carro, os policiais identificaram que ele pertence a Appio.

A coluna apurou que, como a descrição feita pelo supervisor não era a mesma da figura do juiz federal, os policiais passaram a investigar o caso. O gerente do estabelecimento foi ouvido e imagens das câmeras de segurança foram anexadas à investigação. Como as suspeitas avançaram de que se tratava, efetivamente, de Appio, a Polícia Civil parou os trabalhos até que o TRF4 decida os próximos passos por conta da prerrogativa de foro privilegiado.

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No e-mail enviado ao Tribunal, a Polícia Civil de Santa Catarina encaminhou boletins de ocorrência sobre as investigações, relatos, despachos e gravações internas do supermercado.

O que diz o juiz

A coluna procurou Eduardo Appio. Em contato direto com este colunista, na tarde desta quinta-feira (23), o magistrado afirmou que se tratava de um “mal-entendido” e disse: “Não sei do que se trata. Sempre paguei minhas compras. Tenho comprovante. Sempre paguei por todas as minhas despesas, não sei do que se trata”. Disse ainda que é uma “fake news”, afirmando que “sempre fui objeto de várias perseguições”. Também afirmou que entrará com ações de reparação contra quem atentar “caluniosamente” contra ele.

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Em seguida, o advogado de defesa de Appio entrou em contato com a coluna. Nesta sexta-feira (24), o defensor afirmou que não se manifestaria. O posicionamento deve ocorrer somente após o acesso ao conteúdo da investigação.


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