A vitória histórica de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reeleição para a Presidência da República, neste domingo (25), tem muito do “exército” liderado pelo deputado federal André Janones. A mobilização gerada a partir da segunda semana do segundo turno, após uma primeira semana de abatimento na campanha da esquerda com a derrota parcial para Flávio Bolsonaro (PL), foi fundamental para a reeleição de Lula. A estratégia de Janones, aliás, pode ser ainda mais fundamental para o presidente reeleito no novo mandato.
Em uma gestão na qual terá nas mãos um país rachado, conforme as urnas mostraram neste domingo, Lula precisará de um espírito de mobilização que envolva a aproximação com a população nas ruas. O próprio presidente reeleito reconheceu, no discurso da vitória deste domingo, que terá de fortalecer os trabalhos digitais do governo. Lula citou Janones e o “exército” criado no WhatsApp. Um reconhecimento ao trabalho desempenhado pelo deputado federal e pela juventude da esquerda.
Mas não será apenas esse o desafio do quarto mandato do petista. Ele terá de corrigir a rota dos gastos públicos, que atualmente já dão sinais de alerta. E terá de agir também lembrando-se das promessas feitas durante a campanha eleitoral que, justamente, envolvem mais recursos públicos.
Além disso, governará com um Congresso Nacional formado por maioria de direita. Uma oposição que demonstrou força nas urnas nas disputas legislativas e que vai se redesenhar para os próximos anos depois desta nova derrota da família Bolsonaro.
O exército liderado por Janones, portanto, pode ser um ponto de partida para o quarto mandato de Lula. O espírito do movimento, por si só, será importante para a reconexão da esquerda com a população que desacreditou do projeto liderado pelo presidente da República. No entanto, a gestão exigirá mais, inclusive correções de rota naquilo que já havia sido prometido durante a campanha.
