O peso da ausência de Esperidião Amin na política catarinense

História do senador catarinense na política confunde-se com a história política brasileira recente

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(Foto: Saulo Cruz/Senado)

Disputas eleitorais são marcadas, historicamente, pelo início e pelo fim de trajetórias políticas. A democracia impõe que cabe ao eleitor decidir o futuro de quem se coloca à disposição para ocupar cargos eletivos. Ao mesmo tempo que uma eleição marca o nascimento de currículos, ela também determina o final de histórias longas e marcantes. Neste ano de 2026, o senador Esperidião Amin (Progressistas) teve um resultado que coloca sobre a história política dele um ponto de interrogação que pode se converter em ponto final. A derrota para Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) interrompe uma trajetória de 51 anos de vida pública e, mais do que isso, retira do cenário político catarinense um dos nomes mais habilidosos na relação de Santa Catarina com Brasília.

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A história de Amin na política confunde-se com a história política brasileira recente. Ele esteve, direta ou indiretamente, nos principais processos democráticos do país desde antes da Constituição de 1988. Ou seja, montou uma rede de contatos em Brasília incomparável até mesmo com a de políticos de outros estados. Esse conhecimento fez bastante diferença para SC nos últimos anos. Assuntos como o Morro dos Cavalos, a BR-101, a infraestrutura aeroviária e a devolução do dinheiro estadual aplicado nas BRs catarinenses são apenas alguns exemplos do quanto a ação do senador foi favorável ao Estado.

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A ausência de Amin em Brasília, a partir de fevereiro de 2027, quando termina o atual mandato dele no Senado, será medida também pelo impacto real dos novos eleitos pelo Estado. Carol de Toni e Carlos Bolsonaro assumirão com uma responsabilidade muito maior. Não cabe a eles, por óbvio, substituir a figura pessoal de Amin, nem se espera que atuem da mesma forma. Afinal, o eleitor preferiu os dois ao atual senador, num recado das urnas. Porém, espera-se que possam manter uma conexão importante e eficaz dos catarinenses com as decisões federais.

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Tanto Carol quanto Carlos se elegeram com fortes discursos de críticas ao STF e de apelos nacionais, assuntos que Amin também vinha colocando em pauta nos últimos anos. O acirramento do discurso do senador nesse sentido, aliás, foi criticado por setores mais moderados da política catarinense, que o acusaram de ter abraçado com veemência questionamentos defendidos pelas alas bolsonaristas. Portanto, os novos senadores têm a missão de imprimir um ritmo próprio e, ao mesmo tempo, fazer mais do que discursos nacionais.

O ponto de interrogação sobre o futuro de Amin pode até ser respondido pelo próprio senador em breve, mas a pergunta que fica para os catarinenses é outra: quem ocupará o espaço que ele construiu em Brasília? Conhecimento acumulado ao longo de 51 anos, trânsito entre diferentes governos e a habilidade de transformar contatos em resultados concretos não se transferem por decreto nem se improvisam em um mandato.

Por isso, a ausência de Amin tende a ser sentida justamente nos momentos em que o Estado mais precisar de interlocução, seja numa obra parada, seja na disputa por recursos. Aos novos senadores cabe a tarefa de provar, na prática, que o voto das urnas também foi um voto de confiança na capacidade de defender os interesses catarinenses onde as decisões são tomadas. Até lá, o vazio deixado por quem fez da relação com Brasília uma marca de sua trajetória será o principal termo de comparação.