Santa Catarina passou a ser o maior produtor de ovos de codorna do Brasil. O valor da produção chegou a R$ 158,7 milhões em 2025, recorde da série histórica, com alta de 192% em relação ao ano anterior. Com o resultado, a participação catarinense no total nacional saltou de 8,4% para 20%, e o estado ultrapassou Espírito Santo, Minas Gerais e Pernambuco. Os números fazem parte de uma análise da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) sobre a Pesquisa da Pecuária Municipal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Sul catarinense foi o motor da alta. O número de codornas na região cresceu 129% em 2025 e chegou a 1,5 milhão de aves, um plantel recorde e um dos quatro maiores do país. São Ludgero aparece na segunda posição nacional entre os municípios produtores de ovos de codorna. A criação, no entanto, exige rigor, segundo o setor. As codornas são mais sensíveis geneticamente que outras aves e demandam trabalho cuidadoso. Mesmo assim, a procura por produtos diferenciados e de maior valor agregado indica espaço para expansão, avalia a federação.
Para o diretor de Ferrovias e Agronegócio da Facisc, Lenoir Broch, o desempenho mostra a capacidade de adaptação dos produtores.
– O avanço da coturnicultura mostra como os produtores podem ampliar sua participação no mercado quando identificam oportunidades e investem em atividades com potencial de crescimento – afirmou.
Ovos de galinha sobem duas posições
Na produção de ovos de galinha, Santa Catarina saiu da oitava para a sexta colocação no ranking nacional. O valor da produção foi de R$ 2,1 bilhões, o equivalente a 6% do total do país. O Oeste responde por 45% da produção estadual, com destaque para Capinzal e Caçador. O Sul vem em seguida, com 24%, e São Ludgero também está entre os municípios relevantes.
Tilápia coloca o Sul entre os cinco maiores
Na aquicultura, o Sul catarinense entrou no grupo das cinco maiores regiões produtoras de tilápia do Brasil. O valor da produção foi de R$ 145,4 milhões, e a quantidade produzida bateu recorde. Segundo a Facisc, o resultado está ligado à adoção de tecnologias, como linhagens com maior ganho de peso, automatização da captura de larvas e ferramentas de controle de custos dos tanques.
Leite: Oeste cai para terceiro lugar
O cenário foi menos favorável na cadeia do leite. O Oeste catarinense perdeu uma posição no ranking nacional e agora ocupa o terceiro lugar, ultrapassado pelo Triângulo Mineiro. A região também se distanciou do líder, o Noroeste Rio-grandense, de quem estava muito próxima em 2024. De acordo com a análise, os pequenos produtores enfrentam custos elevados, queda na rentabilidade e prejuízos acumulados. Entre os fatores apontados estão a pressão sobre o poder de compra de insumos para alimentação animal, a oferta elevada de leite no mercado interno e a concorrência do produto importado.
A Facisc diz atuar em defesa do setor, em articulação com entidades e representantes políticos catarinenses, em favor de medidas nacionais e projetos de lei voltados à cadeia leiteira.
