Reforma da Previdência com a cara da Câmara dos Deputados

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Uma vitória do parlamento, que aproveita essa votação para assumir um protagonismo inédito nos últimos anos (Foto: Michel Jesus / Agência Câmara/Divulgação)

Um plenário da Câmara renovado em quase 50%, marcado por figuras folclóricas e deputados inexperientes aprovou a reforma da Previdência mais profunda dos últimos tempos. Uma vitória do parlamento, que aproveita essa votação para assumir um protagonismo inédito nos últimos anos.

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Quem observou os desencontros do governo Bolsonaro neste primeiro semestre não imaginou que isso seria possível ainda antes do recesso. Mas houve uma equação quase perfeita: um presidente da Câmara obstinado, um ministro da Economia preparado e o entusiasmo dos movimentos de apoio ao governo. Momentos antes do voto, deputados reconheciam que a pesquisa Datafolha, em que 47% dos entrevistados aprovam a reforma, engordou o mapa final.

A grande conquista da reforma é a idade mínima para o regime geral e servidores públicos, uma batalha antiga de quem defende o equilíbrio das contas. Se não acabou com todos os privilégios – como prometia a propaganda – enquadrou alguns deles, atingindo de juízes a políticos.

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Dentro de uma ideia de reforma possível, trabalhadores rurais e benefícios sociais (BPC) ficaram de fora e policiais foram poupados. Já há acordo para um trâmite rápido no Senado logo depois do recesso. O parlamento agiu. A bola, agora, está com o governo. Até aqui, a reforma era usada como justificativa até para os cortes na Educação.

Carinhos

Pressionado pela bancada da bala, foi o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) quem bateu o martelo para as regras especiais para policiais, com a redução da idade mínima para 53 anos (homens) e 52 (mulheres). Em uma reunião horas antes da votação, os deputados prometeram entregar 22 votos, se houvesse acordo.

Hora da verdade

Se tudo funcionar como desenhado com o Senado, a Previdência de Estados e municípios vai virar uma PEC em separado e voltará para a Câmara. A relatoria deve ficar sob a responsabilidade do Novo. Não está descartado que o líder do partido, deputado Marcel Van Hattem seja o relator. Governadores e prefeitos terão que se mobilizar.

Segundas intenções?

A deputada Carmen Zanotto (PPS-SC) fez uma varredura na PEC da reforma da Previdência e notou pequenas modificações no texto que poderiam ter passado despercebidas, afetando direitos das trabalhadoras. Um exemplo é a troca da frase proteção à maternidade por licença maternidade. Carmen, juntamente com colegas deputadas, quer a redação original, pois entende que a proteção é muito mais ampla do que apenas o direito ao afastamento após o nascimento do filho.

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Toma lá

Do R$ 1 bilhão liberado pelo governo em emendas parlamentares para a área da Saúde em edição extra do Diário Oficial da União do começo da semana, apenas R$ 8,3 milhões foram destinados a Santa Catarina. O recurso contempla fundos municipais de saúde e prefeituras para incremento temporário do limite financeiro da Assistência de Média e Alta Complexidade e do piso da Atenção Básica. 

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