Quando sinto-me cansado, doente, amedrontado, confuso e assustado com os rumos do mundo, procuro refúgio na poesia. Procuro a companhia de Adélia, Drummond, Cecília, Vinicius, João Cabral, Hilda, Conceição, Leminski, Cacaso, Cazuza, Clarice, Chico, Caetano, Gil, Cora, Manoel de Barros, Bandeira, Machado, Gullar, Carolina de Jesus, Quintana, Ana Cristina, Alice Ruiz, Gonçalves, Castro, Pagu, Augusto, Gregório, Olavo, Ariano, Becker, Luiza Romão, Ivánova, Jarid, Ana Martins.
Quando começo a desconfiar completamente da viabilidade do ser humano e da Humanidade, recorro a William, Fernando, Florbela, Charles, Arthur, Walt, Dante, Emily, Pablo, Zurita, Federico, Sylvia, Mary, Homero, Eliot, Adrienne, Audre, cummings, Frost, Hughes, Maya Angelou, Gabriela Mistral, Anna Akhmátova, Alejandra Pizarnik, Dylan, Patti Smith.
Reencontro a beleza nos versos de “A Comedora”, da mineira Adélia Prado (do livro “O Jardim das Oliveiras”, editora Record):
“O mundo está dividido:
De um lado, guerras, generais soturnos;
do outro, o ponto certo da calda,
a feitura acetinada dos glacês.
Amo os dois.
Mãe do céu! Comer, louvar e brigar.
Garfo, rosário e espada.
Ai, gente! Sou só uma mulher”.
Reencontro a esperança nos versos de “E Meus Olhos Irão Buscar os Seus Olhos”, do chileno Raúl Zurita (do livro “Sua Vida Quebrando-se”, editora Fósforo):
“Porque se a mão estendida não se entregou o suficiente
as águas do Pacífico entraram despedaçando
as encostas do coração
como hoje, amanhã ou depois veremos os céus
da sua vida e da minha vida ressuscitados
como um novo poema a se escrever sobre o horizonte”.
Reencontro essas pessoas, seus ritmos, pausas, palavras — e a vida volta a fazer algum sentido.
