Muitas vezes perguntam se me arrependo de algumas coisas na vida — torcer para o Botafogo é o questionamento mais óbvio. Neste caso, mesmo com a mais plena consciência de que o Botafogo é o responsável por muitos de meus traumas, medos, obsessões e esquisitices, respondo que não. Por maiores que sejam as angústias e os tormentos que consomem minh’alma e meu corpo, reforço que não. Afinal, mentiras sinceras me interessam.
A questão do arrependimento veio à cabeça depois de ouvir uma palestra de Alan Rusbridger, ex-editor-chefe do britânico “The Guardian”, um dos mais importantes jornais do mundo. Antes de deixar o cargo, que ocupou de 1995 a 2015, Alan se perguntou: “De que vou me arrepender ao ir embora?”. Ele decidiu então investir pesadamente na cobertura das mudanças climáticas — hoje reconhecida como uma das mais consistentes, agressivas e inovadoras do jornalismo global.
Me arrependo eternamente de ter perdido o crescimento de minha filha. Poderia ter dado mais livros de presente e jogado mais pelada com os parceiros. Deveria ter amado mais e odiado menos, viajado mais e trabalhado muito menos. Poderia ter sido mais destemido, mais generoso e menos autocrítico. Deveria ter conversado e conhecido mais profundamente meus pais, meus irmãos, amigas e amigos.
É como disse o escritor português José Saramago, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1998: “Se eu estiver a ser sincero hoje, que importa que tenha de arrepender-me amanhã?”.
“Monstrengo institucional”
O comentário mais certeiro sobre o furdunço sem precedentes em que se transformou o Supremo Tribunal Federal vem do advogado criminal Luís Francisco Carvalho Filho, em coluna publicada na “Folha de S.Paulo”: “O STF se tornou um monstrengo institucional quando perdeu o caráter de colegiado e se constituiu num organismo esdrúxulo, formado por onze gabinetes isolados, cada um com sua própria pauta de interesses políticos, negociais e administrativos”.
Rotas de Fuga
Jornalista e escritor, Mauricio Stycer escreveu um dos livros mais bonitos deste ano: “Rotas de Fuga” (editora Seja Breve), no qual conta, de forma criativa e comovente, a trajetória de três homens judeus (seu avô materno Jacob, seu tio Abraham e seu pai Boruch) cujas vidas foram atravessadas pelos principais conflitos geopolíticos do século 20.
“Para contar essas histórias, precisei superar o princípio de que, como jornalista, não devo falar de mim. Cheguei à conclusão que seria importante falar desse assunto”, afirma Mauricio.
O resultado é um livraço.
“Curiosidade, mente aberta e otimismo”
Dean Baquet, americano de Nova Orleans, foi o primeiro jornalista negro a dirigir as redações do “Los Angeles Times” e do “New York Times” (este o mais importante jornal do mundo). Perguntado sobre o que considera mais importante para contratar jornalistas, Dean respondeu: “A curiosidade genuína, a mente aberta e o otimismo”.
