O cenário devastador deixado em boa parte do Litoral de Santa Catarina pela chuva forte desta madrugada, com milhares de pessoas afetadas e suspeita de uma morte por afogamento, em Balneário Camboriú, é assustador. A má notícia é que, de acordo com o último relatório de avaliação das condições climáticas feito pela ONU, esse tipo de fenômeno deve se repetir _ e, possivelmente, com mais intensidade.
O documento afirma que teremos chuvas mais intensas na nossa região nos próximos anos, com volumes até 25% maiores do que o que temos hoje. E a tendência é que tenha distribuição irregular, ou seja, períodos de muita chuva intercalados com épocas de estiagem.
Na maior parte das cidades que tiveram estragos causados pela enxurrada, eles não são novidade. É o caso de Balneário Camboriú. Nem as obras mais recentes de drenagem deram conta de escoar rapidamente um volume de chuva acima do normal, em uma cidade quase que totalmente impermeabilizada.
É hora de repensar os modelos de prevenção e o planejamento urbano em nossas cidades. Se o volume de chuvas vai ser maior, e temos a questão da maré, que retém o escoamento, precisamos encontrar meios de direcionar a água da chuva para que não alague as ruas. Em todo o mundo há exemplos de como fazer isso _ com canais, por exemplo. Mas é necessário investimento e, acima de tudo, planejamento.
Não há justificativa para adensar e impermeabilizar as cidades pensando no retorno imediato, sem medir as consequências para os moradores e para os turistas que “convidamos” para conhecer nosso Litoral. Aliás, muitos tiveram os carros parcialmente cobertos pela água em ruas de Balneário Camboriú.
Os prejuízos estão aí, para todo mundo ver. Agora é hora de pensar em soluções.