O catarinente Jonatan Diniz, que ficou detido durante 11 dias na Venezuela, surpreendeu nesta quarta-feira ao afirmar, em vídeo, que premeditou a prisão. A gravação, feita por ele em Los Angeles, nos Estados Unidos, foi divulgada em uma coletiva de imprensa em Balneário Camboriú.
Jonatan diz que sabia da repercussão que o caso teria e que planejou expor-se à prisão para chamar atenção para o trabalho de uma ONG, da qual é vice-presidente.
— Eu fui para a cadeia justamente porque queria. Por que eu queria ir para a cadeia? Justamente para acontecer essa repercussão — afirmou.
Em pouco mais de 5 minutos, o catarinense acusado pelo governo da Venezuela de planejar ações contra o regime de Nicolas Madura disse que queria “salvar crianças”, pediu desculpas por ter preocupado os brasileiros e criticou a cobertura da imprensa.
Esforço
A “premeditada” prisão de Jonatan demandou um intenso esforço diplomático do governo brasileiro. O anúncio de que ele havia sido detido ocorreu poucos dias após a crise institucional entre os dois países agravar, com a “expulsão” recíproca de embaixadores.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também chegou a intervir junto à entidade que congrega advogados venezuelanos, já que havia preocupação com a demora da Venezuela em prestar informações sobre o jovem.
O Itamaraty ainda não se manifestou em relação às afirmações de Jonatan.
Registro
A ONG da qual Jonatan Diniz é vice-presidente, que promoveu a coletiva de imprensa nesta quarta na sede da OAB em Balneário Camboriú, ainda não tem registro no Brasil. Os trâmites que estavam em andamento foram interrompidos com a prisão do catarinense, e serão retomados.
(Com informações de Pamyle Brugnago e Lucas Paraizo)