Deputados querem compartilhar gestão das escolas estaduais com a Secretaria de Segurança

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Uma indicação dos deputados Ana Caroline Campagnolo (PSL) e Onir Mocellin (PSL) pede que a gestão das escolas estaduais de Santa Catarina passe a ser compartilhada, entre a Secretaria de Educação e a Secretaria de Estado de Segurança Pública. A justificativa da proposta é garantir “educação de qualidade na rede pública” e “enfrentamento da violência”.

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Enviado ao governador e às duas secretarias, o documento afirma que a inspiração é o modelo adotado este ano no Distrito Federal, onde algumas escolas passaram a ter a gestão compartilhada. A Secretaria de Educação ficou a parte pedagógica, e a Polícia Militar, com administração e disciplina. O modelo permite que a Secretaria de Segurança invista verbas nas escolas – na estreia, foram repassados R$ 200 mil.

As escolas escolhidas para o projeto piloto, no Distrito Federal, estão em áreas vulneráveis. Reportagem exibida pelo Fantástico, na Rede Globo, em fevereiro deste ano, mostra que os alunos estão se sentindo mais seguros . Mas o modelo também gera críticas de especialistas em educação – especialmente quanto à militarização, como a adoção de uniforme militar e ao padrão para o cabelo: meninos têm que manter bem curto, e meninas têm que prender o cabelo em um coque.

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Projeto catarinense

Santa Catarina tem um projeto semelhante, “Sou estudante, sou cidadão”, desenvolvido pela Polícia Militar, que estreou no ano passado no Bairro Monte Alegre, em Camboriú, e deve ser estendido a outras escolas do Estado. Diferente do Distrito Federal, a escola não é militarizada: não há uniforme ou padrão para os cabelos, por exemplo.

A polícia acompanha a entrada e a saída dos alunos, canta com eles o hino nacional, faz o hasteamento das bandeiras , e apresenta a turma aos professores. O objetivo é resgatar a figura de autoridade do professor em sala de aula. A primeira a replicar o modelo é Bombinhas, mas a expectativa é que o projeto chegue a até 30 escolas.

Relatório apresentado pelo capitão Thiago Ghilardi, que comandava a PM em Camboriú na época da implantação do projeto – hoje está na Polícia Militar Rodoviária – mostra que houve resultados. O relatório diz que as faltas reduziram 43%, ocorrências de indisciplina caíram 58%, e alunos resgataram a confiança na polícia. Procuraram os policiais, inclusive, para relatar casos de abuso e violência doméstica, que são um problema crônico na comunidade.

Investimento faz diferença

O Brasil tem hoje 120 escolas militarizadas, e um de seus principais trunfos são as boas classificações em exames como Enem. Os rankings mostram que elas dividem com as escolas federais – institutos federais ou colégios de aplicação – os melhores resultados das escolas públicas no país.

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No ranking das 10 melhores, de acordo com o resultado do Enem em 2017, sete eram federais. Há um colégio militar do Exército, de Belo Horizonte (MG), em 7º lugar, e outras duas eram escolas estaduais.

Em comum, os melhores colégios públicos do país têm o alto investimento por aluno: federais e militares aplicam três vezes mais recursos para cada estudante do que uma escola regular, em que a média é de R$ 6 mil por aluno. Ambas também têm professores com melhor titulação. São mestres e doutores, o que permite uma melhor remuneração, e dedicação exclusiva.