Eleições municipais mostram derretimento da esquerda em SC

Candidatos não chegaram nem perto da votação de Lula em 2022

Compartilhe:

Presidente Lula (foto: Ricardo Stuckert, PR)

O resultado das eleições 2024 traz um alerta para a esquerda em Santa Catarina,  especialmente para o Partido dos Trabalhadores. O PT reduziu de 11 para 7 prefeitos eleitos no Estado, em comparação com as eleições de 2020 – e não conseguiu repetir, nem de longe, a votação de Lula no segundo turno de 2022.

Continua após a publicidade

Entre na comunidade exclusiva de colunistas do NSC Total

Entre as grandes cidades de Santa Catarina onde o PT disputou prefeituras, o resultado ficou abaixo das expectativas. Em Chapecó, Pedro Uczai (PT) fez 17.755 votos, menos da metade dos 48.271 de Lula em 2022.

Continua após a publicidade

Em Blumenau, Ana Paula Lima (PT) teve 29.071 votos. Lula fez 52.292 o segundo turno. Em Joinville, Carlito Mers (PT) fez 23.278 votos, contra os mais de 81 mil votos de Lula.

Jair Renan Bolsonaro fará oposição a prefeita do PSD em Balneário Camboriú

Apesar de alguns destaques pontuais, como o bom resultado de Marquito (PSOL) em Florianópolis, chegando em segundo lugar (mesmo com a esquerda dividida na Capital), e o crescimento de vereadores com grande capital político, como Giovana Mondardo (PcdoB), que foi a mais votada na conservadora Criciúma, e Eduardo Zanatta (PT), que ficou entre os mais votados em Balneário Camboriú, de forma geral o desempenho da esquerda ficou aquém do esperado.

Há que se considerar, nesta análise, que o cenário é muito diferente das eleições municipais de 2016 e 2020, quando o desgaste com o processo de impeachment de Dilma Roussef e da operação Lava Jato, com a prisão de Lula, estava mais vivo para o eleitor. Em 2024, o PT foi para a urna tendo como cabo eleitoral o presidente da República.

Continua após a publicidade

Abstenção em Florianópolis iguala eleição na pandemia e é maior que a média nacional

O PT apostou em candidaturas em cidades-chave e pulverização de candidatos a vereador de olho em 2026, pensando em ampliar a base de esquerda. A proposta era colocar o partido na vitrine. Mas fez só 18 vereadores a mais do que em 2020.

Continua após a publicidade

De forma geral, a esquerda sai destas eleições em SC com diagnóstico de derretimento. Perdeu espaço mesmo nos locais onde historicamente dialogou com pautas “raiz”, como a agricultura familiar, e não conseguiu avançar suficientemente em outros campos. Algumas frentes abraçadas pela militância, como a generalização do catarinense como um povo “fascista” soaram antipáticas para o eleitorado e cobraram o preço.

Será necessária uma correção de rota se a esquerda quiser voltar a ter uma posição relevante no Estado.