A empresa australiana Karoon entregou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) uma Declaração de Comercialidade (Doc) dos campos de Echidna e Kangaroo, que tem um dos poços próximo ao Litoral catarinense, a 260 quilômetros de Navegantes. O procedimento indica que a Karoon tem interesse em dar início à exploração comercial de petróleo no local. Para isso, depende agora do aval da ANP.
Após a avaliação da Declaração de Comercialidade, a companhia vai apresentar em até seis meses um plano de desenvolvimento dos dois campos. A decisão final de investimentos está programada para o final de 2018. O diretor executivo da Karoon, Robert Hosking, disse que embora se trate de uma formalidade processual, a declaração é “um passo importante para se chegar a uma decisão final de investimento”.
Junto com a Declaração de Comercialidade, a Karoon também apresentou à ANP o Relatório Final de Avaliação de Descoberta (RFDA) dos cinco blocos que detém na Bacia de Santos. A intenção da companhia é dar início às operações, e reduzir sua participação nos blocos, que hoje é de 100%.
A apresentação dos documentos marca o fim da Fase Exploratória. Depois da aprovação da ANP começa a Fase de Desenvolvimento e Produção. A companhia já iniciou processo de licitação para serviços nos campos de Echidna e Kangaroo. Em nota, a companhia informou que espera propostas que gerem “flexibilidade de financiamento com possíveis estruturas de pagamentos, soluções de financiamento para equipamentos, compartilhamento de riscos de subsuperfície e/ou participação acionária”.
No prazo
A conclusão do período de avaliação, por parte da Karoon, corresponde ao cronograma anunciado pela empresa em 2014. A possível exploração de petróleo em um poço próximo a Navegantes (Kangaroo 2) significa a abertura de novas frentes que podem trazer um importante reforço à economia. Em especial nas atividades de apoio logístico.
A região de Itajaí e Navegantes já serve de base para atividades da Petrobras, com infraestrutura de aeroporto, construção e manutenção de embarcações. A Karoon, nesta primeira fase, atuou com base em Niterói (RJ).
Nosso, mas nem tanto
Embora a área de exploração fique a 260 quilômetros de Navegantes, em linha reta, a localização do poço de petróleo Kangaroo 2 é oficialmente do Estado de São Paulo. Assim, os tão esperados royalties não devem pingar nos cofres catarinenses.
Desde 1991 o Estado recorreu à Justiça para tentar reverter a demarcação, a favor de Santa Catarina. O caso aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). No mês passado a Assembleia Legislativa (Alesc) aprovou uma moção proposta pelo deputado Silvio Dreveck (PP), pedindo celeridade na análise do caso.