Uma operação conjunta entre diversos órgãos estaduais lacrou nesta quarta-feira uma fábrica clandestina de inseticidas em Balneário Camboriú. A empresa utilizava como princípio ativo o Metomil, um agrotóxico utilizado em lavouras, considerado altamente tóxico, e que tem o uso doméstico proibido.
O inseticida, que leva o nome de Marcomata e é vendido em embalagens similares às de álcool gel, foi distribuído em supermercados de diversas regiões do Estado – Blumenau, Criciúma, Joinville, Litoral e Grande Florianópolis. A operação conseguiu recolher nesta quarta 4 mil embalagens que estavam à venda, e localizou outros 600 litros que seriam envasados.
Matheus Fraga, gestor da Divisão de Fiscalização de Insumos Agrícolas na Cidasc, recomenda que os consumidores que tenham comprado o produto não o utilizem, nem descartem – se for parar no lixo, o agrotóxico pode contaminar o solo e o lençol freático. As embalagens devem ser entregues à Vigilância Sanitária, à Cidasc, ou devolvidas aos supermercados, que terão que fazer a destinação correta.
– É um inseticida do tipo mais tóxico, de tarja vermelha. Representa risco para quem manipula, e também para crianças e animais de estimação – afirma Fraga.
Além do fracionamento de agrotóxico, que é proibido por lei, o produto não possui registro válido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e a fábrica não possui licença ambiental e nem de funcionamento, por parte da prefeitura de Balneário Camboriú. Jair Antônio Schmitt, presidente do Conselho Estadual de Combate à Pirataria (Cecop), afirma que a empresa utilizava um registro falso na Anvisa, por isso o produto era distribuído sem indícios de irregularidade.
Endereço falso
O Cecop vinha investigando a fábrica desde o ano passado. Chegou a procurar a indústria no endereço que constava em seus registros, em Camboriú. Mas não havia nenhuma fábrica no local. A descoberta do local onde estava a fabricação clandestina ocorreu através do setor de inteligência do Cecop. A fábrica foi interditada, e o dono levado à delegacia.
Além da Cidasc e do Cecop, participaram da ação o Centro de Apoio Operacional do Consumidor do Ministério Público de Santa Catarina, a Vigilância Sanitária Estadual, Polícia Militar Ambiental, Fatma, Polícia Rodoviária Federal, Conselho Regional de Farmácia e Receita Estadual.