Família de Balneário Camboriú aguarda informações sobre jovem preso pelo governo da Venezuela

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A família de Jonatan Diniz, 31 anos, acompanha apreensiva os passos do governo brasileiro na tentativa de liberar o jovem de uma prisão na Venezuela. Os familiares, que vivem em Balneário Camboriú, souberam da prisão do catarinense na última quinta-feira e ainda não têm informações de onde ele está detido, nem seu estado de saúde.

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— Minha mãe chegou a pensar em vender algumas coisas e ir para a Venezuela, mas o Itamaraty recomendou que a família não faça isso. Pedem que a gente tenha paciência, estão com advogado lá, mas qualquer coisa pode gerar mais atrito — diz Juliano Diniz, irmão de Jonatan.

O jovem vive nos Estados Unidos e, de acordo com os familiares, viajou à Venezuela para fazer trabalhos de caridade. Nos últimos meses ele lançou uma campanha entre amigos para arrecadar dinheiro para entregar presentes e oferecer uma refeição a crianças venezuelanas no Natal.

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A relação de Jonatan com a Venezuela começou há cerca de dois anos, quando ele namorou uma jovem venezuelana e viveu durante alguns meses no país. Quando o relacionamento acabou ele mudou-se para Los Angeles (EUA), mas dizia à família que tinha a intenção de voltar para fazer ações de caridade.

— Ele comentava por telefone que tinha visto criança morrer, ficou muito impressionado. Juntou verba e queria voltar na época do Natal pensando em ajudar. Mas era uma coisa amadora, voluntária — afirma Juliano.

Jonatan embarcou para a Venezuela há cerca de duas semanas, com passagens compradas pela mãe. Os brinquedos comprados nos Estados Unidos ficaram retidos no aeroporto, e ele contou à família que precisou repor os presentes quando chegou à Venezuela. O jovem já não fazia contato há alguns dias, mas os familiares só souberam da prisão depois que uma amiga dele entrou em contato.

Segundo o irmão, Juliano, os amigos imaginaram de início que ele tivesse sido sequestrado, porque levava cerca de US$ 600 e anunciava as arrecadações através das redes sociais. A confirmação da prisão veio depois, quando o deputado chavista Diosdato Cabello anunciou que o brasileiro e três venezuelanos foram detidos em Vargas, no Litoral da Venezuela.

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O governo venezuelano acusa o catarinense de dirigir a ONG Time to Change the Earth, que supostamente promoveria ações contra o regime. Cabello disse que a ONG entregaria alimentos nas ruas para obter financiamento a ações que o governo da Venezuela classifica como “terrorismo”. Para o deputado, Jonatan seria também parte de um grupo chamado Warriors of Angels (Guerreiros dos Anjos), e estaria sendo punido pela publicação de imagens de protesto contra o regime na internet.

A página da ONG Time to Change the Earth nas redes sociais tem apenas 24 seguidores e compartilha imagens de fundo de tela, com uma logomarca. A descrição diz que se trata de uma organização que “conecta ONGs ao redor do mundo, para compartilhar alimentos, medicação, brinquedos e uma nova e saudável filosofia de vida”.

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— Acredito que ele foi ingênuo, anunciava de toda forma para quem quisesse ajudar. Estava chamando atenção e provavelmente eles se sentiram ameaçados. É uma questão política — diz o irmão.

Formado em design gráfico, Jonatan exerceu por pouco tempo a profissão em Balneário Camboriú e fez um curso de inspeção de soldagem. Trabalhou para a Petrobras, e largou tudo para viajar pelo mundo. Dizia à família que queria “fazer a diferença”.

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— Minha mãe desabou, não consegue mais falar, só chora. Estamos em uma situação complicadíssima, a gente não tem noção nenhuma. Mas falo que precisamos ter fé — afirma Juliano.

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