A Operação Rigor, deflagrada nesta terça-feira pela Polícia Civil, em Navegantes, identificou mais de 70 membros de uma facção criminosa que atua nas unidades prisionais do Estado. São associados de diferentes “escalões” dentro da organização, que podem estar envolvidos em uma série de crimes, segundo a polícia — de furtos a assassinatos. Ao todo, 30 pessoas foram presas temporariamente e 14 estão foragidas.
Outros 27 suspeitos já estavam presos, e dois morreram desde o início das investigações. A polícia também identificou um adolescente, que não teve a apreensão solicitada à Justiça. Nos próximos 30 dias — prazo das prisões temporárias — a polícia vai trabalhar na coleta de provas, especialmente nos 36 aparelhos celulares que foram recolhidos durante a operação.
O delegado Rodrigo Coronha, responsável pelo caso, diz que uma ação como essa diminui os índices gerais de criminalidade na região:
— Quando estão devendo para a facção, (os faccionados) roubam, cometem furtos, tráfico. Há uma série de crimes relacionados, e quando se desarticula uma célula dessas isso reflete na criminalidade do município de forma geral.
As investigações partiram de uma onda de assassinatos que resultou em 15 mortes em Navegantes, entre outubro de 2017 e janeiro deste ano. A polícia descobriu que o principal autor era um representante da alta cúpula da facção, que tinha a função de “rigor”, ou seja, executava os decretos do grupo criminoso.
O suspeito foi morto em janeiro, em um confronto com a Polícia Militar. No material recolhido, a polícia descobriu que ele havia filmado uma execução e compartilhado pelo Whatsapp. Diversos suspeitos foram identificados por meio das imagens e da troca de mensagens.
A Polícia Civil de Navegantes também juntou à investigação provas recolhidas na Operação Hidra de Lerna, desencadeada em novembro do ano passado pela Divisão de Investigações Criminais de Balneário Camboriú (DIC), que indiciou 104 pessoas por envolvimento com a facção criminosa e com ataques promovidos pelo grupo no Estado, em agosto e setembro de 2017.
Entre o material já obtido pela polícia, segundo o delegado Coronha, há diversas mensagens trocada entre membros da facção sobre “julgamentos” de quem está em débito com a organização. A polícia descobriu, por exemplo, que cada bairro de Navegantes onde há células da facção tinha um “disciplina” diferente, responsável por manter a ordem entre o grupo. Todos foram identificados, de acordo com a Polícia Civil.
A expectativa é que, com o material recolhido, seja possível relacionar os suspeitos a outros crimes ocorridos na cidade e na região, e identificar outros membros.
— Esses grupos estão disseminados em vários municípios, principalmente nas cidades maiores e mais estruturadas. Navegantes é um polo de atuação do crime organizado, assim como Itajaí, Balneário Camboriú, a Capital, São José e Joinville. Eles estão em cidades com índice maior de criminalidade e onde é mais fácil se esconder _ disse o delegado regional de Itajaí, Márcio Colatto.
Os mandados de prisão expedidos são por associação criminosa. A pena para esse crime é de 3 a 8 anos de prisão.