Uma campanha começa este mês, em Itajaí, para conscientizar sobre a entrega voluntária de bebês para adoção. O movimento foi provocado pela Vara da Infância e Juventude, diante de uma estatística que chama atenção: no último ano apenas neném foi entregue à Justiça em Itajaí. O que leva a suspeitas de um alto número de adoções “à brasileira”, consideradas ilegais.
O juiz Fernando Machado Carboni diz que a realidade de Itajaí contrasta com a de outras comarcas no Estado. Em contrapartida à falta de entregas espontâneas, há um número elevado de ações de guarda por parte de famílias adotivas que já estão há algum tempo com as crianças. Isso leva a entender que existam muitos casos de adoção feita de maneira informal.
A intenção do magistrado é reforçar a possibilidade de doação espontânea junto aos órgãos de assistência social e saúde, inclusive para que denunciem caso percebam alguma irregularidade. Nas escolas e creches, o pedido é para que não aceitem matrículas feitas por pessoas que não são as responsáveis legais pela criança.
A campanha de conscientização ficará a cargo da ONG Grupo de Estudo e Apoio à Adoção Laços Encontrados. Há dois anos um trabalho semelhante começou a ser feito, mas acabou interrompido porque as denúncias de adoção ilegal não vinham sendo levadas adiante.
Juliana Gonçalves, que preside a entidade, diz que o preconceito em relação à mãe que decide entregar o filho para a adoção, e a falta de informações da mulher, que teme a criminalização, são os principais entraves a serem enfrentados em Itajaí. A conselheira tutelar Anadir Schneider diz que, pelos mesmos motivos, poucas denúncias chegam aos órgãos responsáveis.
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