O primeiro título do Brasil em Copas do Mundo completa 60 anos nesta sexta-feira. Fotos inéditas e recém descobertas mostram a equipe campeã de 1958 na chegada ao Brasil. A Seleção histórica, que inaugurou a constelação no escudo brasileiro, aparece entre cumprimentos oficiais e momentos descontraídos em família. Uma raridade de valor inestimável, que faz parte do acervo do Instituto Soto, de Itajaí, à qual os veículos da NSC tiveram acesso com exclusividade.
As imagens, apresentadas ao público pela primeira vez, fazem parte de um álbum com 109 fotos que pertenceu ao atacante Mazzola, famoso por ter sido um dos poucos jogadores no mundo a defender duas seleções – jogou pela Itália após disputar a Copa de 58 pelo Brasil.
O álbum chegou ao pesquisador Jules Soto, que comanda o instituto, em 2015. Desde então, passou por um delicado processo de pesquisa para atestar a raridade das fotos.
– Apuramos que foram produzidos apenas quatro desses álbuns. Os outros três ninguém sabe onde estão. Nem a CBF tem essas imagens – afirma.
O estado de conservação das fotos impressiona. Passados 60 anos, apenas algumas amarelaram com o tempo – processo provocado por bactérias, a que poucas fotos antigas ficam imunes. O manuseio é feito somente com luvas especiais, para que as fotos não sejam danificadas.
A qualidade do material chama atenção, mas o autor é desconhecido. A princípio, acreditou- se que as fotos seriam do fotógrafo Jean Manzon, famoso na época. Mas Soto não encontrou nenhuma indicação de que o trabalho seja dele. Para ele, a hipótese mais provável é que o trabalho seja do carioca Joaquim José de Lima, fotógrafo freelancer que vendia álbuns para a Confederação Brasileira de Desportos ( CBD), a atual CBF, que morreu na década de 1960.
As imagens mostram atletas e comissão técnica recebidos no Rio de Janeiro, então capital brasileira, pelo presidente Juscelino Kubitschek. Depois, em São Paulo, são recepcionados pelo governador, mais tarde presidente, Jânio Quadros.
Sorridentes, vestindo os ternos oficiais da CBD, os craques de 1958 talvez ainda não tivessem a dimensão do feito. Foi a Seleção que apresentou ao mundo lendas como Pelé e Garrincha e que transformou o futebol brasileiro.
O álbum oficial será agora digitalizado e transformado em livro. As fotos integrarão o acervo de Copas do Mundo mantido pelo Instituto Soto, que tem quase 2 mil peças.
Entre elas, raridades como a camisa da seleção uruguaia da Copa de 1950, a camisa de Pelé, assinada pela seleção do tricampeonato, e a camisa de Maradona, de 1986.
Parte da coleção está exposta no Beto Carrero World durante a Copa do Mundo. Ali são cerca de 300 peças, inclusive a faixa de campeão do mundo que pertenceu a Mazzola em 1958.
A intenção é que o acervo todo seja reunido em um museu em Santa Catarina. Coleções de Soto estão hoje distribuídas em cinco museus no Estado – entre eles o Museu Oceanográfico da Univali, em Balneário Piçarras.
Confira mais fotos inéditas da Copa de 1958 nas bancas, nas edições desta sexta-feira do Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina.