Policiais da Divisão de Investigações Criminais de Balneário Camboriú (DIC) recolheram documentos na Câmara de Vereadores de Camboriú nesta quarta-feira. A papelada vai integrar uma investigação sobre pagamento de diárias irregulares, em legislaturas anteriores. O inquérito é um desdobramento da Operação Iceberg, deflagrada pela Divisão de Defraudações da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) em Tijucas, no final de 2015.
Segundo a polícia, vereadores e servidores do Legislativo receberam diárias para participar de cursos em Florianópolis, Brasília e Curitiba, que nunca foram ministrados. As investigações apontaram que três empresas paranaenses eram responsáveis pelos contratos com as Câmaras de Vereadores para fornecer os cursos fictícios. Os parlamentares e servidores recebiam diárias de viagem sem terem frequentado nenhuma aula.
Os documentos recolhidos pela polícia em Camboriú dizem respeito ao período entre 2007 e 2015. De acordo com o delegado Vicente Soares, que comanda a DIC, as investigações vêm ocorrendo a quatro meses. O delegado não informou o número de vereadores e servidores suspeitos de envolvimento na fraude.
Nas próximas semanas a Polícia Civil vai avaliar os documentos contábeis apreendidos e começará a ouvir depoimentos.
Iceberg
A Operação Iceberg, deflagrada em 2015, levou ao indiciamento de 47 pessoas _ entre elas, todos os 13 vereadores que ocupavam cadeiras no Legislativo de Tijucas. A Deic apurou que a farsa rendeu às contas da Câmara de Vereadores de Tijucas um rombo de R$ 550 mil.
Na época, a Polícia Civil informou haver indícios de que 27 Câmaras de Vereadores em Santa Catarina tenham realizado contratos com as empresas paranaenses envolvidas na fraude. Em todo o país, o número chega a 77.