Cerca de 170 policiais militares e federais cumprem nesta quinta-feira a ordem judicial de desocupação das comunidades Monte Sião e Nova Canaã, em Navegantes, que estão em áreas de interesse da Infraero para ampliação do Aeroporto de Navegantes. Mais de 90% dos moradores das comunidades já haviam deixado o local desde semana passada, quando a Justiça determinou corte no abastecimento de luz e água.
A situação das famílias é acompanhada pela Defensoria Nacional de Direitos Humanos. Até ontem, ninguém havia pedido abrigo à prefeitura de Navegantes, que precisará manter espaço para as famílias desalojadas por 30 dias.
Na quarta-feira, em resposta ao último recurso apresentado pelos moradores para tentar adiar a desocupação, a desembargadora Vivian Caminha, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF 4), determinou que a ordem judicial fosse cumprida somente com a comprovação de que há um espaço para os desalojados, de que foram fornecidos caminhões de mudança e passagens de ônibus, e com a contagem exata do número de famílias envolvidas.
No início da noite, após a prefeitura ter encaminhado respostas aos questionamentos, a Justiça determinou que a operação de reintegração de posse fosse mantida.
Parte dos terrenos foi desapropriada, com verbas da União, pela prefeitura de Navegantes para dar lugar à nova pista do Aeroporto Ministro Victor Konder. Outra parte é particular, e está em fase de desapropriação.
Em julho, a Justiça Federal intermediou um acordo em que os moradores inscritos na ação seriam indenizados num total de R$ 4,2 milhões, o que resultaria em cerca de R$ 9 mil para cada um. No entanto, as famílias não aceitaram a oferta. Diante da recusa, a Justiça determinou a desocupação.