O Porto de Itajaí passará por um diagnóstico da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), para estabelecer medidas que reduzam os riscos de perda econômica em caso de desastres naturais, como a enchente de 2008. O acordo, firmado pelo Governo do Estado, faz parte do Projeto CSI-Brasil, feito em parceria entre os governos brasileiro e alemão.
Além do Porto de Itajaí, A Eletrosul também foi incluída no projeto _ ambos considerados infraestruturas estratégicas para o Estado. A análise começa pelos parâmetros climáticos, para apontar que tipo de iniciativas de prevenção podem ser aplicadas. A parceria vai até 2020.
Passados 10 anos desde a enchente que arrasou o Vale e o Litoral de Santa Catarina, ainda há reflexos na economia. O Porto de Itajaí, que teve três berços danificados pela força das águas, está perto de voltar a operar com 100% da capacidade pela primeira vez após a catástrofe, com a previsão de entrega da reforma e realinhamento do berço 4 prevista para janeiro do ano que vem.
Os investimentos públicos e privados para recuperação de todo o cais chegaram perto de R$ 500 milhões _ o primeiro berço reformado foi entregue em 2010, pelo então presidente Lula (PT). No momento, três das quatro estruturas estão em operação.
A enchente rendeu ao porto um déficit de R$ 220 milhões. Sem poder operar todos os berços, o terminal perdeu receitas de operação e de taxas portuárias, que mantinham a estrutura. Mas serviços como a dragagem permanente de manutenção dos acessos, que é de responsabilidade da autoridade portuária (a Superintendência do Porto de Itajaí) tiveram que ser mantidos, e a conta não fechou mais.
Em Brasília
Boa parte dessa diferença milionária é discutida junto à Secretaria Nacional de Portos pela APM Terminals, arrendatária do Porto de Itajaí, que pede reequilíbrio econômico do contrato. A empresa quer que as perdas sejam compensadas com extensão no período de arrendamento, mas o pedido já tramita há seis anos sem resposta.
Marcelo Salles, superintendente do Porto de Itajaí, diz que pelo menos R$ 20 milhões do déficit foram saldados, nos últimos meses, graças à recuperação na movimentação do terminal _ o crescimento é de 83%, em comparação com o ano passado.
Berços reforçados
A principal diferença entre os berços reconstruídos, e os que foram danificados pela enchente de 2008 em Itajaí, está na estrutura submersa. O cais anterior foi construído entre as décadas de 1930 e 1940, com estacas de 20 metros de profundidade que não resistiram à força da correnteza. Os novos berços têm estacas de 60 metros de profundidade, cravadas nas rochas que estão abaixo do leito do rio.
Defesa Civil
Nesta quinta-feira o Centreventos Itajaí recebe o Seminário Fortalecimento da Cooperação e Resiliência, em lembrança aos 10 anos da enchente de 2008. Durante todo o dia ocorrerão palestras públicas, e exposições de 24 agências e instituições de ensino que produzem conhecimento na área de defesa civil. O secretário de Estado da Defesa Civil, Coronel João Batista Junior, estará presente.