Um crescimento populacional acima da média brasileira tornou o abastecimento de água uma questão delicada e urgente em Balneário Camboriú. O assunto veio à tona no domingo à noite, quando o pesquisador Marcos Polette, um dos maiores especialistas no assunto em Santa Catarina, falou ao Fantástico sobre a possibilidade de faltar água na cidade a partir de 2028.
A data vem de um trabalho de pesquisa feito pela engenheira ambiental Adelita Granemann, na Univali, seis anos atrás. Ela demonstrou que, considerando a disponibilidade de água tratada e o aumento da população nas duas cidades que são abastecidas pelo Rio Camboriú _ Camboriú e Balneário Camboriú _ o limite da disponibilidade de água está próximo de ser alcançado.
Essa limitação é reconhecida pelo Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Camboriú. Pudera: Balneário tem a maior densidade demográfica de Santa Catarina, segundo o IBGE. São mais de 2,3 mil pessoas por quilômetro quadrado, pelo Censo 2010. Desde 1991, o número de domicílios a serem abastecidos mais do que triplicou.
A principal dificuldade, diz o presidente do Comitê, o professor Paulo Ricardo Schwingel, está na capacidade de reserva. Não falta água no Rio Camboriú, mas espaços adequados para mantê-la em períodos de abundância, para que não haja problema em época de estiagem.
Um convênio assinado no fim de dezembro pelos prefeitos de Balneário Camboriú, Fabrício Oliveira (PSB) e Camboriú, Elcio Kuhnen (PMDB), deu início a estudos para a criação de um parque inundável, que vai reservar água e conter as cheias que atingem os bairros ribeirinhos, nas duas cidades. O projeto, que promete resolver boa parte do problema, será entregue atá o final do ano.
Produtor de água
Outra medida para manter o abastecimento está ligada à preservação do manancial. O projeto Produtor de Água paga aos produtores de arroz cadastrados um incentivo para que mantenham a mata ciliar do Rio Camboriú. Há 17 produtores inscritos, e a expectativa é que a área preservada dobre de tamanho nos próximos meses, com a inclusão de um dos maiores agricultores da região. Recentemente o projeto foi estendido aos afluentes, com a inclusão do Rio do Braço e do Rio dos Macacos, que vai ocorrer em breve.
Hoje cada imóvel em Balneário Camboriú contribui com menos de R$ 1 por mês para ajudar a manter o projeto.
Outorga
Uma das questões que ainda precisam ser resolvidas em Balneário Camboriú diz respeito à outorga, o limite de água que pode ser captada para tratamento. A outorga atual, que é de 700 litros por segundo, é considerada insuficiente. A Empresa Municipal de Água e Saneamento de Balneário Camboriú (Emasa) pediu, em setembro, que o Estado aumente o volume de outorga para mil litros por segundo _ e aguarda resposta.
Acima do limite
O problema é que a outorga de 700 litros por segundo já era maior do que o previsto, considerando os limitadores ambientais. Para aumentar o volume e atender à demanda, as duas cidades se comprometeram, cinco anos atrás, em apresentar medidas compensatórias que nunca foram feitas. Isso, por certo, dificulta as novas tratativas.
Alternativas
Estudos recentes apontaram que o Rio Camboriú tem boa qualidade de água para tratamento e disponibilidade hídrica. Com as medidas de preservação e reserva, deverá garantir por mais tempo de oferta de abastecimento. Mesmo assim, o Comitê da Bacia do Rio Camboriú está em busca de outras alternativas para que o fornecimento de água corresponda ao aumento da população nos próximos anos. Por enquanto, ainda não há um plano B com viabilidade econômica para ser colocado em prática.