Região Norte de Balneário Camboriú tem 40% dos imóveis com ligação irregular de esgoto

Compartilhe:

Técnicos da Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa) fizeram nesta segunda-feira uma nova vistoria nas saídas de esgoto no Pontal Norte, com um robô que identifica irregularidades. O resultado é alarmante: mesmo depois de uma enxurrada no fim de semana, que “lavou” a tubulação de drenagem pluvial, a estrutura já estava novamente tomada de esgoto irregular, desaguando no Rio Marambaia.

Continua após a publicidade

Douglas Beber, diretor da Emasa, diz que dos 30 mil imóveis fiscalizados até agora, na região Norte da cidade, 40% têm ligação irregular de esgoto — na maioria dos casos, o esgoto está ligado na rede pluvial, e ao invés de ser encaminhado para tratamento, é levado in natura para o rio.

O procedimento é sempre o mesmo: o proprietário tem um período para se adequar, é feita nova inspeção, e se o problema persistir é emitida multa e pode ser lacrada a saída _ o que a prefeito Fabrício Oliveira (PSB) informou que começará a ser feito. Foram 115 autuações até agora. O valor é baixo, R$ 273, o que levou a uma discussão sobre possível mudança na legislação.

Continua após a publicidade

A ideia é permitir que o município faça a instalação adequada nos locais onde o proprietário se recusa a fazer a regularização, e cobre pela obra depois na conta de água. É um processo semelhante ao decreto de que se valeram alguns municípios para permitir o acesso dos fiscais do programa de combate à dengue em imóveis fechados, e para limpeza emergencial dos terrenos com cobrança posterior dos proprietários. A justificativa é a mesma: o prejuízo à saúde pública.

Impróprio para banho

O Rio Marambaia deságua no Pontal Norte, e causa poluição na Praia Central. Nos últimos cinco anos, o ponto de coleta do Instituto do Meio Ambiente (IMA) que fica na foz do rio só teve resultados positivos para a balneabilidade cinco vezes _ duas em fevereiro de 2014, e três em setembro de 2017. Este ano já foram feitas 46 coletas no local, e todas deram resultado impróprio para banho.

Não é de estranhar que a poluição revolte moradores. Muitos investiram milhões em imóveis de luxo, de frente para o mar, e se deparam diariamente com a língua de água suja do Rio Marambaia que invade a praia. Desde o ano passado, um grupo de moradores e empresários uniu-se para pressionar a prefeitura por uma solução.

_ Em abril de 2017 foi dito pela prefeitura que o Rio Marambaia era prioridade número um. Faz um ano e meio, e nada aconteceu _ diz o empresário Jaison Santos, que foi um dos organizadores do coletivo Rio Marambaia Vivo.

Continua após a publicidade

Uma das cobranças dos moradores é em relação a um projeto que instalaria uma estação de tratamento dentro do Rio Marambaia _ assim, a água sairia limpa na foz e não poluiria o mar. Avaliado em R$ 10 milhões, mais um custo mensal de instalação de R$ 1 milhão, o projeto é agora considerado inviável pela Emasa.

Além de não resolver a origem do problema _ e expor o restante do curso do rio à água suja _ a medida não funcionaria quando há maré alta e muita chuva, diz o diretor da autarquia.

Continua após a publicidade

Há uma proposta de utilização de biorremediador, um componente biológico que retira as moléculas de poluição. Mas o projeto aguarda há 40 dias autorização do Instituto do Meio Ambiente (IMA) para ser colocado em prática.

Esgoto existe, mas é antigo

Balneário Camboriú é uma das cidades com maior índice de saneamento em Santa Catarina. A rede chega a 94% da cidade, mas além de ter ligações incorretas, está subdimensionada. Instalada na década de 1980, a rede de coleta já não suporta a carga durante a temporada de verão.

Continua após a publicidade

A Emasa aposta em um projeto para aumentar a capacidade da rede, passando a tubulação por dentro da atual tubulação de drenagem que permeia pela Avenida Atlântica, com 2 a 3 metros de diâmetro. A tubulação de esgoto tem 60 centímetros de diâmetro, e a avaliação é de que não haveria prejuízo para o escoamento da água de chuva.

A intenção é colocar esse projeto em licitação até o fim de dezembro. O orçamento é de R$ 12 milhões, mas como passa pelo cartão postal da cidade, a obra não será feita até o fim da temporada de verão.