Restos mortais de ex-prefeito morto pela ditadura serão trazidos a Balneário Camboriú

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(Foto: Arquivo pessoal)

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Os restos mortais do primeiro prefeito de Balneário Camboriú, Higino João Pio, morto pela ditadura militar, serão transferidos para o único cemitério da cidade, 49 anos depois. Liberado à família na época em um caixão lacrado, com um laudo falso de suicídio, o corpo está enterrado no cemitério da Fazenda, em Itajaí. A transferência deverá ocorrer no dia do aniversário de Balneário, 20 de julho.

Filho de Higino Pio, Julio Cesar Pio diz que a família gostou muito da proposta da prefeitura de trazer o primeiro prefeito de volta à cidade.

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— A gente gostaria muito que ele estivesse em Balneário Camboriú, ele fez muito pela cidade. Haverá uma cerimônia na retirada, e outra no cemitério da Barra — diz.

Na época, conta o filho, não houve como escolher onde ocorreria o enterro. Havia pressão para que o sepultamento fosse feito o mais rápido possível.

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A morte de Higino Pio foi esclarecida pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) em 2014. Os peritos apresentaram, em Florianópolis, o laudo que afirma que a maneira como o corpo foi encontrado, com os braços ligeiramente curvados e preso por um arame, no banheiro do camarote do capelão, na Escola de Aprendizes Marinheiros, na Capital, não condiz com o atestado de óbito feito na época dos militares, que falava em suicídio.

Higino Pio, que era amigo pessoal do ex-presidente João Goulart, foi levado pelos militares à Escola de Aprendizes Marinheiros, supostamente, para prestar informações. Voltou morto, aos 47 anos.  

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A família, até hoje, não foi indenizada pelo governo federal. A reparação veio apenas pelo Governo do Estado, logo após a publicação do laudo.

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